Valor dos alimentos brasileiros exportados em 2025 foi de US$ 169,2 bilhões
Edição AgroDF
12 janeiro 2025
As exportações de produtos agropecuários brasileiros somaram US$ 169,2 bilhões em 2025, o que representa um aumento de 3,0% em relação aos US$ 164,3 bilhões registrados em 2024. O valor corresponde a 48,5% de todo o valor exportado pelo Brasil no ano passado. O resultado foi impulsionado pelo aumento de 3,6% no volume de produtos do agronegócio enviados ao exterior, desempenho que compensou a queda de 0,6% nos preços médios.
Já as importações de produtos agropecuários no ano passado totalizaram US$ 20,2 bilhões, um aumento de 4,4% em relação a 2024. Com isso, a corrente de comércio agropecuário no último ano foi de US$ 189,4 bilhões, e o saldo da balança comercial do agronegócio, ou seja, a diferença entre o que o setor vendeu e o que comprou do exterior, fechou o ano com um superávit de US$ 149,07 bilhões.
Em dezembro de 2025, as exportações somaram US$ 14 bilhões, recorde para o mês e crescimento de 19,8% em comparação com as exportações do mesmo mês de 2024. Já as importações foram de US$ 1,62 bilhão, incremento de 6,8% em relação a dezembro de 2024, resultando em saldo da balança comercial de US$ 12,38 bilhões no último mês.
Na avaliação do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, o recorde no valor exportado é resultado de diversos fatores: a diversificação de produtos e destinos, o esforço do produtor brasileiro para abastecer o mercado interno e atender ao mercado externo. Além disso, o trabalho em conjunto e coordenado do Mapa, do Ministério das Relações Exteriores (MRE), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da ApexBrasil
Mercados e produtos
A abertura de novos mercados e a diversificação de produtos foram fundamentais para o novo recorde. Em 2025, o agronegócio brasileiro alcançou a marca de 525 novos mercados abertos desde 2023. Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, os mercados abertos desde o início do Governo Lula já trouxeram aproximadamente US$ 4 bilhões em receitas cambiais adicionais, sem contar o impacto das inúmeras ampliações de mercado realizadas no período. Quanto à diversificação, em 2025 as exportações de produtos não tradicionais cresceram cerca de 15%.
Essas estratégias possibilitaram que o agronegócio brasileiro enfrentasse turbulências no cenário internacional. Foi o caso do tarifaço imposto pelo Estados Unidos, ocorrência de influenza aviária e a redução dos preços internacionais de algumas commodities.
A safra recorde de grãos 2024/2025 também contribuiu expressivamente. Foram produzidas 352,2 milhões de toneladas, representando um incremento de 17% em relação ao ciclo anterior.
Na pecuária, a produção atingiu níveis recordes para as carnes bovina, suína e de frango, permitindo a existência de excedentes exportáveis sem comprometer a oferta de produtos agropecuários para o mercado interno.
Principais destinos
Os três principais compradores de produtos agropecuários brasileiros são: China (US$ 55,3 bilhões, 32,7% das exportações e crescimento de 11% em relação a 2024), União Europeia (US$ 25,2 bilhões, 14,9% das exportações e aumento de 8,6% em relação ao último ano) e Estados Unidos (US$ 11,4 bilhões, 6,7% das exportações e queda de 5,6% em relação a 2024).
Destaque também para mercados que expandiram as compras de produtos agropecuários brasileiros: Paquistão (US$ 895,6 milhões; +122%), Argentina (US$ 573,79 milhões; +29%), Filipinas (US$ 332,6 milhões; +9,18%), Bangladesh (US$ 256,75 milhões; +4,64%), Reino Unido (US$ 231,5 milhões; +3%) e México (US$ 217 milhões; +2%).
Produtos mais vendidos
Entre os principais produtos da pauta de exportação, a soja em grãos manteve-se como o principal item, gerando US$ 43,5 bilhões em receitas cambiais (+1,4%), com volume embarcado recorde de 108,2 milhões de toneladas (aumento de 9,5%).
A carne bovina também registrou recorde, com receitas de US$ 17,9 bilhões (+39,9%) e incremento de 20,4% em volume. Um dos motivos do crescimento: foram abertos 11 mercados para a carne bovina brasileira em 2025.
Ainda no setor de proteínas animais, destaque para o incremento de 19,6% no valor e de 12,5% no volume exportado de carne suína, tornando o Brasil, pela primeira vez, o terceiro maior exportador mundial do produto.
Houve ainda aumento 0,6% no volume exportado de carne de frango, mesmo diante de um cenário desafiador de 2025, quando foi registrado apenas um caso de influenza aviária em granjas comerciais em todo o território brasileiro.
O café, outro produto tradicional da pauta exportadora, apresentou crescimento de 30,3% em valor, totalizando US$ 16 bilhões, impulsionado por preços internacionais que atingiram níveis históricos, tanto para o café verde quanto para o café solúvel.
Destaque também para o incremento no valor e no volume exportado de frutas (+12,8% e +19,7%, respectivamente), além da abertura de 26 mercados nos últimos três anos, e para os pescados (+2,6% em valor e +17% em volume).
Produtos diversos
A balança comercial de 2025 registrou crescimento expressivo de produtos menos tradicionais da pauta exportadora do agro. Esses produtos representam novas oportunidades para os setores contemplados com a abertura e ampliação de mercados.
Alguns desses produtos tiveram recorde na exportação. É o caso do gergelim vendido para a China. Em novembro de 2024, as compras chinesas desse produto somaram US$ 195,1 milhões.
Já as miudezas de carne bovina renderam U$S 605 milhões (incremento de 20,6%) com a venda de 267 mil toneladas (crescimento de 16,9%) em 2025 com a abertura de novos mercados, como a Indonésia e Filipinas.
O DDG de milho (grãos secos de destilaria), coproduto da produção de etanol, também apresentou crescimento de 4,3% em volume (825 mil toneladas). Como exemplo, a Turquia passou de US$ 35,6 milhões para US$ 62,7 milhões em compras desse produto (+76,1%).
Já os tipos de feijão tiveram desempenho recorde em 2025, com aumento de 32% em valor (US$ 443 milhões) e de 55,5% em volume (533 mil toneladas), em comparação com o ano anterior.
Diversos itens que não compõem o grupo principal de commodities alcançaram marcas históricas em 2025, quando comparados a 2024. Entre eles, destacam-se:
- Pimenta piper seca ou triturada: US$ 517,81 milhões em valor (+81,1%) e 803 mil toneladas (+34,6%)
- Amendoim: US$ 366,9 milhões em valor (+1,9%) e 311,5 mil toneladas (+37,3%)
- Óleo de amendoim: US$ 264,6 milhões em valor (+147,4%) e 173 mil toneladas (+180,4%)
- Melões frescos: US$ 231,5 milhões em valor (+24,9%) e 283,4 mil toneladas (+16,4%)
- Castanha de caju: US$ 75,8 milhões em valor (+72,7%) e 16,6 mil toneladas (+120,2%)












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