Complexo agroindustrial em Planaltina deve atrair R$ 100 milhões em investimentos
Edição AgroDF
2 julho 2026
Começou a sair do papel um empreendimento projetado há mais de 20 anos: a implantação do Polo Agroindustrial do Rio Preto, em Planaltina (DF). Nesta quarta-feira (1º), a governadora Celina Leão assinou o edital de chamamento público para a implantação do completo agroindustrial, que deve atrair R$ 100 milhões em investimentos privados.
As indústrias e empresas interessadas em se instalar na área destinada ao polo devem apresentar suas propostas até 31 de agosto. As propostas serão recebidas pela Agência de Desenvolvimento do DF (Terracap) e analisadas pela Secretária de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri-DF).
As empresas selecionadas terão os seguintes benefícios: acesso a crédito presumido de até 80% do ICMS nas operações de comercialização de produtos industrializados; isenção do ITBI (nos casos de migração para CDRU e/ou compra direta futura); desconto de até 80% no preço público cobrado à título de licenciamento ambiental; e firmar contrato de concessão de uso oneroso (CDU) pelo prazo de 30 anos, com possibilidade de migração para concessão de direito real de uso (CDRU).
O polo fica próximo à sede da Cooperativa dos Produtores do Rio Preto (Coarp), com acesso pelas rodovias DF-250 e DF-320. O complexo ocupa 58 hectares, divididos em dois módulos. Os terrenos serão entregues com infraestrutura de energia, conectividade e suporte para sistemas irrigação e armazenamento.
Os segmentos do edital
O Polo do Rio Preto foi projetado para atrair investimentos, empreendimentos rurais e agroindústrias com elevado potencial de geração de emprego, rendimento e desenvolvimento tecnológico. Visando esse público, o edital é voltado para três segmentos estratégicos: fabricação de ração animal, produção de bioinsumos e fertilizantes e agroindústrias de processamento mínimo de alimentos.
Ração Animal – O Brasil consolidou-se como o 3º maior produtor mundial de ração animal, alcançando quase 90 milhões de toneladas, impulsionado pela alta nas exportações de carnes e pela adoção de tecnologias. Os principais destaques de crescimento incluem a aquicultura, com avanço próximo a 9%, e a pecuária de corte, que saltou mais de 7%
No caso da aquicultura, o edital foca indústrias que produzem rações balanceadas e aditivos de precisão para peixes e camarões. Em 2025, a aquicultura do DF registrou novo recorde, atingindo 2.637 toneladas de peixes e crustáceos – crescimento de 21,9% em relação a 2024.
Bioinsumos e Fertilizantes – Já as indústrias de bioinsumos no Brasil formam um setor em forte expansão, movimentando cerca de R$ 6,2 bilhões anuais. Essas empresas desenvolvem e comercializam soluções biológicas (bioinseticidas, bionematicidas, biofungicidas e inoculantes) para controle de pragas, nutrição vegetal e fixação de nitrogênio, promovendo uma agricultura sustentável. A produção de bioinsumos e de fertilizantes visa também ampliar a oferta local de insumos agrícolas e reduzir a dependência de fornecedores de outros países.
Processamento Mínimo – O edital foca ainda as agroindústrias de processamento mínimo. São empresas que limpam, descascam, cortam e embalam frutas e vegetais, mantendo-os frescos e prontos para consumo. Essa tecnologia agrega valor à produção, reduz perdas e atende à demanda de praticidade de redes de fast-food, supermercados e consumidores, exigindo controle rígido de temperatura e higiene. O setor está em plena expansão no Brasil.
Valor agregado
Ao lançar o edital, Celina Leão afirmou que vem atuando para ampliar a cadeia econômica do Distrito Federal. “Recebi uma pesquisa sobre a oportunidade de novos negócios, principalmente de bioinsumos e o valor agregado no rural”, contou Celina. “É o valor agregado que realmente dá valor de negócio para o empresário, porque muitas vezes ele fica sem conseguir produzir, vende matéria prima bruta e a gente deixa de arrecadar recurso onde tem uma receita importante para o Estado.”
Para o presidente da Terracap, Júlio César Reis, o projeto amplia a segurança econômica e competitividade do setor agropecuário. “Existe espaço para empresas da pecuária, da agricultura”, afirmou Reis. “Nós iremos diversificar a matriz econômica do Distrito Federal, permitindo que o nosso produtor de soja possa vender também o farelo de soja, o óleo de soja. Que o nosso produtor de tomate possa vender, além do tomate, a matéria prima para fazer extrato de tomate e todos os seus produtos derivados”, exemplificou.
O secretário de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, Rafael Bueno, avalia que o polo, além de atrair investidores e gerar empregos, irá provocar dois grandes avanços no agronegócio: a redução do custo de produção e a preservação do meio ambiente com a produção de bioinsumos.
Fortalecimento da agricultura
A governadora Celina Leão também entregou nesta quarta-feira (1º) a escritura pública do terreno do escritório de Planaltina da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF). Esta foi a segunda escritura entregue pelo GDF para o órgão – a primeira foi do escritório de Brazlândia, em abril de 2023.
Planaltina com outros quatro escritórios da Emater, localizados na zona rural. “Estamos em uma luta para patrimonializar os imóveis da Emater-DF”, declarou Cleison Duval, presidente da empresa. “O escritório de Planaltina, que fica no centro da cidade, era uma grande demanda nossa.”












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