Pelo oitavo ano consecutivo, a produção goiana do grão é a maior de todo o país
Edição AgroDF
20 junho 2026
A produção de sorgo de Goiás cresceu 40,3% em 2025/2026 em relação à safra anterior, chegando a 2,2 milhões de toneladas, segundo dados do oitavo levantamento de grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgado nesta sexta-feira (10). O total produzido pelo estado representa 29,3% da produção nacional do grão na safra 2025/26. Com esse resultado, Goiás mantém, pelo oitavo ano consecutivo, a posição de maior produtor nacional de sorgo.
O boletim da Conab também mostra que a área semeada com sorgo, no mesmo período, saltou 59,9%, atingindo 631,1 mil hectares frente aos 394,7 mil do ciclo anterior, com produtividade média estimada em 3,5 toneladas por hectare.
A forte expansão da cultura é motivada pela resistência do cereal ao déficit hídrico e pela adaptação do grão à segunda safra, conhecida como safrinha. Devido ao seu alto valor nutricional, o sorgo consolida-se como um dos principais ingredientes que abastecem a indústria de nutrição animal.
Municípios produtores
A produção de sorgo se espalha por 128 dos 246 municípios goianos, concentrando-se principalmente na região Sul de Goiás e no Entorno do Distrito Federal. Entre os municípios, destacam-se Cristalina e Rio Verde, que são os dois maiores produtores de sorgo de todo o Brasil. Juntos, responderam por 28,3% de toda a produção colhida no estado em 2024.
Mas outros municípios estão investindo pesado na produção do cereal. É o caso de Motividiu, no Sudoeste goiano, conhecida como a “Capital dos Grãos” de Goiás. O município multiplicou sua colheita quase 14 vezes em um ano, saltando de 3,6 mil para 49,5 mil toneladas, segundo dados da Plataforma Aroeira.
Outros municípios também se transformaram em novos polos produtores, entre eles, São Domingos e São Miguel do Araguaia. No quesito rendimento, Itapaci lidera a eficiência com a maior média do estado (4,0 t/ha), seguido por Rio Verde e Flores de Goiás (3,8 t/ha).
O secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa), Ademar Leal, comemorou os dados da Conab. “Goiás tem ampliado sua participação na produção nacional de sorgo de forma consistente, resultado da capacidade dos produtores de incorporar culturas que agregam competitividade ao sistema produtivo”, ressaltou. “Além de contribuir para a diversificação da segunda safra, o sorgo tem papel importante no abastecimento das cadeias de proteína animal e abre novas oportunidades para a agroindústria e a bioenergia no estado.”
Produção de etanol
A bioenergia é uma nova e promissora janela de projeção para a produção goiana do sorgo, que ganha crescente importância como matéria-prima para a fabricação de etanol. Em virtude de sua alta concentração de açúcares e ciclo produtivo curto, o grão torna-se ideal para abastecer as destilarias locais durante o período de entressafra da cana-de-açúcar. Essa integração é facilitada pela vantagem logística e operacional de aproveitar os mesmos equipamentos já utilizados nos canaviais para a mecanização da colheita goiana.
Essa sinergia industrial projeta um cenário de agregação de valor para o agronegócio goiano, segundo a Secretaria de Agricultura. A expansão do etanol, a partir do cereal, amplia a oferta de coprodutos de alto valor, como os grãos secos de destilaria (os Distillers Dried Grains-DDGs), que possuem elevado teor proteico e energético para a nutrição animal.
Ao conectar de forma inteligente as cadeias de biocombustíveis e de proteínas animais, o mercado goiano caminha para consolidar um sistema produtivo ainda mais sustentável, eficiente e economicamente diversificado, abrindo novas frentes de investimento para os produtores do estado.












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