BACTÉRIA AMEAÇA UVAS DO DF

A vigilância foi reforçada para evitar que a doença atinja outras propriedades produtoras de uva no DF - Foto: Divulgação.

Doença foi identificada pela Secretaria de Agricultura numa videira na região do Paranoá

Edição AgroDF
19 junho 2026

A Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do Distrito Federal (Seagri) informou nesta sexta-feira (19) que foi detectada pela primeira a presença do cancro bacteriano da videira num vinhedo na região do Paranoá. A descoberta levou secretaria a reforçar a vigilância fitossanitária nos parreirais para evitar que a doença atinja outras propriedades produtoras de uva no DF.

Para o secretário de Agricultura, Rafael Bueno, a presença da bactéria põe em risco a produção vinícola do DF, que cresceu em área cultiva de uva e em qualidade dos vinhos. “O cancro bacteriano da videira representa um risco significativo para a viticultura do Distrito Federal” – alerta Bueno –, “especialmente neste momento em que os produtores têm ampliado os investimentos na produção de uvas destinadas à elaboração de vinhos”.

Identificação da doença

O monitoramento dos parreirais para identificar doenças começou em 2024, quando a Seagri e a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia deram início a projeto voltado à priorização de riscos fitossanitários e ao diagnóstico de pragas quarentenárias no DF. Essas pragas (inseto, fungo, bactéria e vírus) representam uma ameaça econômica e ambiental severa para a agricultura de uma região, mas que ainda não está presente no local ou, se está, tem distribuição restrita e é alvo de controle oficial.

O trabalho teve continuidade em 2025, quando a pesquisa apontou a possível presença da doença no DF, o que levou a Defesa Agropecuária a intensificar as inspeções em propriedades e a coletar amostras para análises. O material coletado foi encaminhado ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Goiás, que em junho de 2026 emitiu laudo confirmando a presença da bactéria numa videira na região do PAD-DF, importante polo agrícola do Paranoá.

A identificação da doença acendeu o sinal de alerta na Seagri, que passou a atuar em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar a causa da contaminação, delimitar a área do foco, reforçar o monitoramento e evitar a propagação da que a bactéria. “A Secretaria de Agricultura está mobilizando todos os esforços necessários para conter o foco identificado e evitar a disseminação da doença para outras propriedades”, ressaltou Bueno.

A Seagri também vem solicitando aos produtores que qualquer suspeita da presença da doença seja imediatamente comunicada à Gerência de Sanidade Vegetal (Gesav). Assim, será possível agir com rapidez na coleta de amostras, na realização de exames laboratoriais e na adoção de medidas fitossanitárias para evitar a disseminação da doença em larga escala e proteger a produção de uva e de vinho do DF.

 A bactéria da videira

A bactéria Xanthomonas citri pv. viticola é a agente causadora do cancro bacteriano da videira. Esta é uma das doenças fitossanitárias mais graves e de maior preocupação para a viticultura brasileira, afetando principalmente as plantações de uvas de mesa.

A doença causa manchas nas folhas e lesões nas nervuras, ramos e no pé da folha, além de comprometer o desenvolvimento dos frutos. Esses problemas afetam diretamente a qualidade do fruto e inviabilizam a comercialização da uva.

A disseminação ocorre principalmente por meio de material propagativo contaminado, como mudas, estacas e garfos de enxertia, além de ferramentas sem higienização adequada, irrigação por aspersão, chuvas e ventos.

Como não existe tratamento curativo capaz de erradicar a bactéria de plantas infectadas, a principal estratégia é a prevenção. Entre as recomendações estão a utilização de mudas provenientes de viveiros regularizados, a realização de inspeções frequentes nos parreirais e a desinfecção de ferramentas e equipamentos utilizados no manejo.

É também recomendado reforçar o monitoramento, podar as plantas e destruir as que estejam infectadas.

Com informações da Sagri-DF
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