Edital prevê investimento de R$ 8 milhões para salvar um dos principais rios do DF
Edição AgroDF
18 maio 2026
A Secretaria do Meio Ambiente do Distrito Federal (Sema) lançou nesta segunda-feira (18) edital de chamamento público para execução do Projeto de Recomposição da Vegetação Nativa na Bacia do Rio Melchior, que nasce em Taguatinga e abrange as regiões administrativas de Ceilândia, Samambaia e Sol Nascente. O edital prevê investimento de R$ 8.019.132, provenientes do Fundo Único do Meio Ambiente do Distrito Federal (Funam).
Os recursos serão aplicados no plantio, na manutenção e no monitoramento de aproximadamente 100 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs), nascentes e áreas estratégicas de recarga hídrica ao longo de 48 meses. As ações serão realizadas em áreas prioritárias do Rio Melchior, Ribeirão Taguatinga e dos córregos Cortado, Taguatinga e Gatumé.
Está prevista também a recuperação de trechos degradados da Área de Relevante Interesse Ecológico Juscelino Kubitschek (Arie JK) e parques ecológicos da região oeste do Distrito Federal.
Serão realizadas operações como preparação e limpeza das áreas, aquisição e plantio de 200 mil mudas nativas, além de ações de educação ambiental com a sociedade civil da região envolvendo estudantes da rede pública de ensino. Os recursos serão liberados conforme cronograma e plano de trabalho aprovados pela Sema.
Organizações sociais
O público-alvo do edital são as organizações da sociedade civil (OSCs) de todo o país. Elas devem ter, no mínimo, três anos de atividades e executados projetos de recuperação florestal ou ecológica com espécies nativas, preferencialmente no bioma Cerrado; e que tenham atuado em projetos de recuperação de, no mínimo, 55 hectares.
Após a publicação do edital no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF), elas terão prazo de 50 dias corridos para apresentar as propostas. O edital terá validade de 12 meses após a homologação do resultado final.
Eixos de ação
As ações do projeto foram estruturadas em quatro eixos principais: diagnóstico das áreas prioritárias; recomposição florestal; manutenção das áreas recuperadas; e educação ambiental. O projeto prevê, ainda, controle de espécies exóticas invasoras, irrigação, adubação, replantio e manutenção e monitoramento técnico das áreas em recuperação por pelo menos dois anos. A proposta também inclui ações de comunicação social voltadas para a conscientização ambiental da população da bacia hidrográfica.
O secretário do Meio Ambiente, Rafael Luiz Ramalho de Santana, explicou que “a recomposição da vegetação nativa nas áreas de preservação permanente e nas zonas de recarga hídrica da Bacia do Rio Melchior é uma medida estratégica para ampliar a proteção dos recursos hídricos, reduzir processos erosivos e restaurar funções ecológicas essenciais para o equilíbrio ambiental da região”.
A Bacia do Melchior
O Rio Melchior integra a Bacia do Rio Descoberto, um dos principais sistemas responsáveis pelo abastecimento hídrico do Distrito Federal. O rio nasce em Taguatinga e separa Ceilândia e Samambaia, atravessando áreas urbanas e rurais. Com a expansão populacional, o rio tem sido poluído com descarte irregular de lixo e degradação ambiental.
Atualmente, o Melchior tem classificação 4 pelo enquadramento da Política Nacional de Recursos Hídricos. Essa classificação permite o lançamento de efluentes, ou seja, o descarte de resíduos líquidos (água e substâncias dissolvidas ou suspensas) provenientes de atividades humanas, industriais, agrícolas ou redes de esgoto.
Para a bióloga das Sema, Elisângela Santana, a recuperação do Melchior é estratégica para ampliar a proteção do manancial e melhorar a qualidade ambiental da bacia hidrográfica. “Esse projeto é importante porque vai recuperar a vegetação, fazendo com que, no futuro, o rio possa mudar sua classificação, inclusive permitindo a captação de água para abastecimento”, ressaltou a bióloga, acrescentando: “O projeto vai trazer melhorias para o meio ambiente e para a qualidade de vida da população do Distrito Federal”.












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