Equipamentos são cedidos por cinco anos a cooperativas de pequenos agricultores
Edição AgroDF
17 maio 2026
O Governo do Distrito Federal vem ampliando a política de cessão de máquinas e implementos agrícolas a associações e cooperativas de pequenos agricultores que não dispõem de recursos para adquirir esses equipamentos. Desde 2019, foram investidos R$ 6 milhões em tratores, caminhões e equipamentos, com mais de 40 contratos assinados entre o GDF e essas instituições para o uso gratuito do maquinário, segundo informou neste sábado (16) a Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri-DF).
Os produtores são atendidos com diversos tipos de máquinas e implementos agrícolas, como tratores, caminhões, caçambas, arados, plantadeiras, pulverizadores e máquinas para a produção de forragem. Eles são usados em serviços diversos, como preparo do solo, colheita, transporte da produção e conservação de estradas rurais.

Política pública
O secretário da Agricultura, Rafael Bueno, explica que essa política foi adotada para permitir que pequenos produtores também possam ter acesso a essas máquinas já que, individualmente, não têm recursos para adquirir os equipamentos. “Um trator custa aproximadamente R$ 200 mil, o que inviabiliza a aquisição por muitos produtores e comunidades”, exemplificou Bueno.
A cessão das máquinas se dá por chamamento público, na plataforma Parcerias DF. As entidades selecionadas recebem os bens em cessão de uso por até cinco anos. Os equipamentos cedidos continuam a pertencer à Seagri, mas passam ao uso das associações e cooperativas para atender produtores da comunidade, conforme regras de manutenção, organização do uso coletivo e prestação de contas.
O secretário explicou ainda que a cessão por cinco anos é o tempo para que seja fechado o ciclo de produção, que vai da preparação da área ao transporte dos produtos. “É todo o ciclo sendo fechado, do plantio à colheita até a logística, favorecendo os produtores, diminuindo o custo de produção e fixando o homem no campo”, resumiu Bueno.
No pacote de auxílio também estão caminhões, que são usados no escoamento da produção – o que reduz o frete pago pelas associações e facilita a chegada dos alimentos aos pontos de venda e aos programas de compras públicas.
Atualmente, o custo do frete está na faixa de R$ 8 por quilômetro rodado. Assim, um produtor de Planaltina – cidade a 58 quilômetros da Ceasa – gastaria numa só viagem R$ 464. Fazendo mensalmente 60 viagens (ida e volta), esse custo subiria para quase R$ 28 mil. “Para uma cooperativa com projeção de gasto de R$ 20 mil por mês em frete, isso diminui muito, porque o impacto passa a ser o custo do combustível e do motorista”, comparou Bueno.
Produtores beneficiados
O Núcleo Rural Betinho, em Brazlândia, é uma das comunidades beneficiadas com máquinas cedidas pela Seagri, que foram usadas na recuperação de estradas vicinais, facilitando o escoamento da produção e o acesso à cidade.
Helena Alves Pereira (78 anos) mora na comunidade há quase 50 anos. Ela lembra que quando chegou ao núcleo rural, o deslocamento até Brazlândia era feito a pé. “Quando eu cheguei aqui, não tinha nada, era só mato”, conta. “Cansei de sair às 4 horas da manhã levando meus filhos para estudar em Brazlândia. As estradas estavam muito ruins, tinha lugar que não passava. Foram muitos anos de sofrimento. Agora isso ficou para trás”, declarou Helena, agradecendo a Seagri “por trazer esses maquinários para ajudar a arrumar as nossas estradas”.

Para o líder comunitário Gislengelo Teles Ferreira (47 anos), conhecido como Ângelo, essa parceria trouxe muitos benefícios. “As nossas estradas estavam intransitáveis”, lembra. “Com essa demanda solicitada pela comunidade e pelas associações, elas melhoraram e ficaram transitáveis. Aqui nós precisamos escoar a produção. Com a estrada melhor, dá para transportar o produto de forma mais adequada. Diminui manutenção de veículo, diminui o gasto com combustível e ajuda muito a comunidade”.












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