CERRADO PERDE UM AMAPÁ

A devastação às margens dos rios afeta diretamente a qualidade da água e facilita as erosões – Foto: Tony Winston/Agência Brasília

Agricultura e pecuária devastam 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa em 40 anos

Edição AgroDF
8 outubro 2026

Em 40 anos, o bioma Cerrado perdeu uma área do tamanho do estado do Amapá. Entre 1985 e 2025, foram extraídos 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa localizados em até 500 metros de rios e riachos, o que afeta diretamente a qualidade da água e proteção do solo contra erosões.

A maior parte da vegetação nativa do bioma deu lugar às atividades agropecuárias, que cresceu de 46,7 milhões para 97,9 milhões de hectares, ocupando 48,9% do que antes era Cerrado. Desse total, em 2025 a agricultura ocupava 29,7 milhões de hectares e a pecuária, 53,9 milhões de hectares.

O total da área devastada nesse período representa quase 27% de toda a cobertura verde do Cerrado, segundo estudos do MapBiomas divulgado nesta quinta-feira (8). No período pesquisado, seis unidades da federação deixaram de ter mais da metade de seu território coberto por vegetação nativa.

São eles: Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará e Pernambuco. Eles se somaram a São Paulo, que já possuía apenas 24,1% do Cerrado nativo no início da série histórica.

Bacias hidrográficas

Os dados do MapBiomas apontam que, entre as seis grandes bacias hidrográficas que têm origem no Cerrado, a do Alto Tocantins foi a que mais perdeu vegetação nativa nas margens dos cursos de água, em 40 anos. Foram extraídos 2,9 milhões de hectares nesse período.

Foi também expressiva a perda na bacia do Araguaia: 2,7 milhões de hectares a menos. Já as bacias do Alto Tocantins e do Araguaia, juntas, perderam 41% de toda a redução de vegetação nativa registrada em até 500 metros dos rios no Cerrado.

Ao longo do período analisado, o bioma Cerrado teve perda líquida de 51,7 milhões de hectares de vegetação nativa, o equivalente a uma redução de 34%.  Mas considerando toda a redução história, mesmo antes de 1985, em 2025, o bioma já somava uma perda de 49,6%.

Entre os tipos de vegetação, a formação savânica foi a mais afetada, com uma perda de 41%, equivalente a 34 milhões de hectares. A formação florestal sofreu uma perda de 25%, cerca de 12,8 milhões de hectares, enquanto a vegetação a campestre diminuiu 39%, com menos 3,6 milhões de hectares.

A analista Bárbara Costa, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), ressalta que a redução dessa cobertura vegetal pode afetar a qualidade e a disponibilidade da água e deixar a paisagem mais vulnerável a eventos climáticos extremos, como secas e chuvas intensas.

Menor devastação

O MapBiomas informa que o Piauí se destaca entre os estados que mantiveram a cobertura original em mais da metade do território. Manteve a vegetação nativa em 78,2% do estado. Em termos de preservação, após o Piauí vem Rondônia com 76,5% e Maranhão, com 67,4%.

Em 2025, todos os estados do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) mantiveram mais de 50% de vegetação nativa em sua porção do Cerrado, reunindo entre eles quase metade, 47,7%, da vegetação remanescente do bioma.

Já entre os municípios, 301 deixaram de ter predomínio de vegetação nativa. Desses, 227 passaram a ter menos de 20% de sua porção de Cerrado coberta por vegetação nativa. Em 2025, a agropecuária passou a predominar em 61% das regiões de Cerrado nos municípios, ante 41% em 1985.

A maior parte da perda de vegetação nativa no bioma (77,7%) ocorreu em área privada. Já em áreas protegidas ou de uso coletivo, como terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação, a perda em 41 anos foi de 13,9%.

O Cerrado concentra grande parte das bacias hidrográficas brasileiras. Além disso, o bioma abriga também grande número de nascentes de rios ou leitos de rios de oito das 12 bacias hidrográficas do país. Eis a lista dos mais importantes rios que nascem no Cerrado:

  • Rio Xingu (Bacia Amazônica)
  • Rio Tocantins (Bacia do Tocantins-Araguaia)
  • Rio Araguaia (Bacia do Tocantins-Araguaia)
  • Rio São Francisco (Bacia do São Francisco)
  • Rio Parnaíba (Bacia do Parnaíba)
  • Rio Gurupi (Bacia do Atlântico Leste Ocidental)
  • Rio Jequitinhonha (Bacia do Atlântico Leste)
  • Rio Paraná (Bacia do Paraná)
  • Rio Paraguai (Bacia do Paraguai)
 Com informações da Agência Brasil e Brasil Escola
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