PRAGA DO CITROS ATACA GOIÁS

A pior doença da citricultura mundial causa queda drástica na produtividade e morte das plantas - Foto: Fundecitrus

Doença que não tem cura é identificada em pomares na Cidade Ocidental e em Heitoraí

Edição AgroDF
15 junho 2026

Pomares de citros em dois municípios de Goiás foram atacados pela pior doença da citricultura mundial: o Greening (HLB), que não tem cura.  A Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) anunciou nesta segunda-feira (15) ter identificado a presença da praga na Cidade Ocidental, na região do Entorno do Distrito Federal, e em Heitoraí, no Centro goiano.

A doença causa queda drástica na produtividade e morte das plantas. As plantas afetadas foram identificadas durante inspeções para o Levantamento Fitossanitário Anual de HLB em pomares nesses municípios. Análises de amostras coletadas confirmaram a contaminação. Para conter a disseminação da praga, as plantas atingidas foram erradicadas. Ao mesmo tempo, a Agrodefesa passou a reforçar, junto aos produtores da região, as orientações de prevenção e controle da doença.

“A identificação do foco mostra que o serviço de defesa está atento e vigilante”, afirma o gerente de Sanidade Vegetal da Agrodefesa, Leonardo Macedo. “A resposta rápida é fundamental para proteger as áreas ainda livres e minimizar os impactos econômicos aos produtores.”

Mudas sem certificação

Não é a primeira vez que a praga é identificada em Goiás. Em 2024 e 2025, foram encontrados focos da doença em três municípios: Quirinópolis, Campo Limpo de Goiás e Anápolis. Imediatamente, as plantas foram erradicas e começaram as ações de orientação para prevenir, controlar e combater a doença. As palestras educativas se estenderam aos produtores de Goialândia, Itaberaí e Hidrolândia.

A coordenadora do Programa de Citros da Agrodefesa, Mariza Mendanha, alerta para o comércio de mudas de citros sem certificação. “Além do controle e monitoramento do inseto transmissor, é preciso que os produtores e a sociedade em geral não comprem mudas sem origem”, recomenda. “As mudas sem origem e sem documentação podem estar contaminadas e podem levar a praga para a propriedade. Mudas, somente de viveiros certificados, mesmo que seja para uso doméstico”, aconselha.

Sobre o HLB

Considerado a pior praga dos citros, o HLB (huanglongbing ou greening) não tem cura e, apesar de não oferecer risco à saúde humana, pode afetar drasticamente a produção. A doença é causada pela bactéria Candidatus Liberibacter spp., transmitida pelo psilídeo Diaphorina citri, inseto de coloração branca acinzentada e manchas escuras nas asas.

A praga afeta laranjeiras, limoeiros e tangerinas, gerando frutos deformados, queda de folhas e grandes prejuízos econômicos. Os principais sintomas são: folhas mosqueadas de verde-escuro, verde-claro ou amareladas; desfolha; seca e morte de ramos; frutos deformados, pequenos e assimétricos; sementes abortadas, pequenas e malformadas e de coloração escura.

No Brasil, o HLB já foi registrado nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Goiás e Rio Grande do Sul. Atualmente, não existem variedades comerciais de copa ou porta-enxerto resistentes à doença.

Medidas de prevenção e controle ao HLB

  • Mantenha atualizado o cadastro georreferenciado obrigatório de propriedade produtora de citros no Sistema de Defesa Agropecuário de Goiás (Sidago/Agrodefesa).
  • Monitore a presença do psilídeo Diaphorina citri, instalando armadilhas nas áreas de risco e nas bordaduras dos pomares comerciais.
  • Adquira mudas somente de viveiros registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e inspecionados pela Agrodefesa.
  • É proibido adquirir mudas de comércio ambulante. Denuncie o comércio ilegal à Agrodefesa.
  • Em caso de suspeita da doença, comunique imediatamente a Agrodefesa. Os fiscais da Agência vão inspecionar a propriedade e, em caso de suspeita, coletar amostras para análise.
  • Plantas com sintomas, obrigatoriamente, devem ser erradicadas pelo produtor.
  • O comércio ilegal de mudas pode ser denunciado à Agrodefesa pelo Whatsapp (62) 9 8164-1188.
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