Filhotes de Golden retriever, pastor-alemão e labrador estão sendo treinados para ajudar deficientes visuais
Edição AgroDF
9 junho 2026
O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) está formando uma nova matilha de 18 cães-guia, que serão entregues a pessoas com deficiência visual para ajuda-las a transitar pelas ruas e a fazer atividades rotineiras com autonomia e segurança. Sete filhotes da raça Golden retriever já foram entregues para socialização com famílias adotivas temporárias. Outros sete filhotes de pastores-alemães e quatro labradores começam nesta semana a receber treinamento de capacitação.
Os cães-guia são treinados para facilitar a mobilidade e promover a autonomia das pessoas com deficiência visual. Eles aprendem a caminhar em linha reta e a parar para todas as mudanças de nível no caminho, como calçadas (meios-fios) e escadas, além de desviar ou contornar obstáculos.
A formação da nova matilha é mais uma etapa bem sucedida do projeto brasiliense, que foi retomado em agosto de 2025 com a inauguração do Centro de Treinamento de Cães do Corpo de Bombeiros. Os sete filhotes já doados nasceram nas dependências do CBMDF. Os filhotes de pastor-alemão também nasceram no Centro de Treinamento e quatro labradores foram doados à corporação.
Treinamento especializado
Os filhos da raça Golden retriever formam a “Ninhada D”. Foram batizados com nomes que seguem a ordem alfabética adotada pelo projeto: Duda, Delta, Dacota, Dora, Dom, Dante, Draco e Dexter. Esses animais foram entregues a famílias voluntárias para a etapa de socialização, que dura entre dez a 12 meses, sendo considerada fundamental para a formação de cães-guia.
Os demais filhotes passarão por treinamento especializado, que dura entre seis e oito meses. Essa fase inclui comandos avançados, obediência, mobilidade urbana e identificação de riscos. Depois, os animais serão encaminhados para a fase de adaptação com os futuros tutores.
O capitão Jean Charles Meireles dos Santos, coordenador do Centro de Treinamento de Cães do CBMDF, explica que, durante a fase de socialização, os animais convivem em ambiente doméstico para desenvolverem comportamentos básicos, adaptação a diferentes estímulos e obediência. “É o momento em que o cão sai de bebê até ficar adulto, mas numa vida normal, convivendo com a sociedade, indo e vindo aos lugares a que as pessoas vão”, destaca Santos.
O treinamento especializado tem como objetivo preparar os animais para conduzir pessoas com deficiência visual de forma segura e autônoma. “O cão vai aprender a conduzir alguém”, enfatiza o capitão. “Todo esse processo foca, principalmente, na condução segura. Ele é treinado para proteger o tutor, evitar que ele caia em um buraco, tropece em um obstáculo ou até mesmo colida com estruturas mais altas.”
Após a formação, os cães-guias são encaminhados para pessoas com deficiência visual inscritas numa lista de espera. Após a entrega, a responsabilidade pelos cuidados com o animal passa a ser do tutor beneficiado, com acompanhamento das equipes do CBMDF.
Acolhimento dos filhotes
Um dos filhotes da “Ninhada D” tem como hospedagem a residência da economista Júlia Conter (50 anos). Em fevereiro, ela adotou a labradora Cora, com quem está há quatro meses. Ao saber da nova ninhada, decidiu adotar outro filhote. “São ótimas companhias para a minha Golden retriever, que tem dez anos, e animam a nossa casa”, conta Júlia. “O principal é que é uma missão muito bonita. Estamos contribuindo para a segurança de alguém.”
A rotina com as duas cachorrinhas engloba tanto atividades externas como estímulos dentro de casa. “Levo elas para todos os lugares: supermercado, padaria, farmácia, escola, trabalho. E no dia a dia, as três cachorras brincam o tempo todo”, relata a economista. “Elas serão os olhos de um cego. Vão ajudar a se movimentar melhor, caminhar na rua, tudo mesmo. Tenho certeza de que serão ótimas cães-guia.”
Com a retomada do projeto, o Corpo de Bombeiros já entregou dois cães-guia a deficientes visuais. Foram os labradores Bento e Tom, que foram doados para a corporação com um ano de idade. O atleta paralímpico Leonardo Moreno (41 anos) recebeu Tom. “O trabalho com as famílias socializadoras é muito importante, ajudam muito no preparo dos nossos parceiros”, ressalta Leonardo, que considera Tom seu fiel escudeiro.
Leonardo reforça a importância do animal para a segurança e o conforto de pessoas com deficiência visual: “O cão é preparado para reconhecer obstáculos baixos, médios (na altura da cintura) e aéreos (na altura da cabeça). Com a bengala só consigo rastrear o obstáculo, correndo o risco de bater o rosto. O cão não deixa isso acontecer. É meu parceiro 24 horas”, enfatiza.
Referência nacional
O Centro de Treinamento de Cães do CBMDF adota metodologia originária no Canadá para preparar os animais tanto para atender deficientes visuais quanto pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). Os resultados alcançados levaram o Centro de Treinamento à condição referência nacional na formação de cães de assistência.
Para formar cães-guias, o Corpo de Bombeiros investe na qualificação de profissionais. Estão sendo capacitados como treinadores e instrutores quatro militares da corporação. Após a capacitação, cada bombeiro ficará responsável por três cães. “Todo esse treinamento é muito complexo e exige excelência”, enfatiza o major João Gilberto Silva Cavalcanti. “Um cão treinado de maneira errada pode colocar em risco a segurança de uma pessoa com deficiência visual.”
Lei do Cão-Guia
A Lei do Cão-Guia (Lei Federal nº 11.126/2005) garante à pessoa com deficiência visual (cegueira ou baixa visão) o direito de ingressar e permanecer acompanhada de seu cão-guia em qualquer meio de transporte e em estabelecimentos abertos ao público ou de uso privado. Eis os principais direitos previstos pela lei:
- Livre Acesso: O cão-guia tem passe livre em restaurantes, hotéis, lojas, escolas, hospitais (exceto áreas de isolamento) e todos os meios de transporte (como ônibus, metrô e carros de aplicativo).
- Sem Custos Adicionais: É proibido cobrar qualquer taxa extra ou tarifa pelo ingresso e permanência do animal.
- Dispensa de Focinheira: O animal não pode ser obrigado a usar focinheira, mas deve estar equipado com a sua cadeia de identificação, que inclui peitoral e alça rígida.
- Cães em Treinamento: A lei também se estende aos cães em fase de socialização ou treinamento, desde que estejam acompanhados por um treinador ou instrutor habilitado.
- Acessibilidade nos Meios de Transporte: As empresas de transporte são obrigadas a garantir espaço suficiente para o conforto do cão junto ao seu tutor.
SERVIÇO
Para hospedar um filhote: famíliahospedeira@gmail.com
Para obter um cão-guia: cadastronacional@projetocaoguia.com
Seguir o projeto no Instagran: @centrodetreinamentodecaescbmdf












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