CRÉDITO MOVE O AGRO FAMILIAR

Agricultura familiar: crédito rural impulsiona a produção de alimentos no Distrito Federal - Foto: Toni Oliveira-Agência Brasília

Entre 2019 e 2026, foram aplicados R$ 67 milhões em 1.262 projetos agrícolas no Distrito Federal

Edição AgroDF
22 junho 2026

A agricultura familiar do Distrito Federal, entre 2019 e maio de 2026, movimentou mais de R$ 65 milhões em compras institucionais de alimentos e recebeu cerca de R$ 67 milhões em crédito rural. Os recursos viabilizaram 1.262 projetos elaborados pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF), atendendo principalmente a agricultura familiar, que representa 75% dos produtores e responde por 38% da produção rural do DF. O setor movimentou R$ 5,8 bilhões entre 2024 e 2026, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O Governo do Distrito Federal mantém dois programas de crédito: o Prospera, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda (Sedet); e o Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR), da Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri). Este fundo foi ampliado em maio de 2025, quando a governadora Celina Leão determinou a criação do FDR Mulher (linha especial de crédito para produtoras rurais) e o FDR Cooperativa (linha especial de crédito para que essas instituições comprem máquinas e equipamentos).

Já o Governo Federal disponibiliza crédito rural por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), entre linha de financiamento de bancos estatais.

Importância do crédito rural

Para o secretário de Agricultura, Rafael Bueno, o crédito rural contribui substancialmente no fortalecimento e na capacidade produtiva da agricultura familiar. Diz Bueno: “O crédito é de extrema importância para que o produtor trabalhe em duas linhas essenciais. A primeira é o custeio agropecuário, que é destinado à aquisição de fertilizantes e insumos de maneira geral para a próxima safra. E a segunda é o investimento em maquinários, animais, estrutura e veículos, que melhoram a logística de escoamento da produção”.

Já o presidente da Emater-DF, Cleison Duval, classifica o crédito como uma ferramenta essencial ao desenvolvimento rural, transformando a realidade do produtor. “Permite investir na propriedade, modernizar as etapas de produção, reduzir a penosidade do trabalho com automatização, ou seja, investir em inovações tecnológicas que levam a uma maior produtividade e qualidade dos produtos”, enfatiza Duval.

Produção agrícola do DF

Os mais recentes dados do Ministério da Agricultura apontam que o crédito rural vem contribuindo significativamente para que a produção agrícola do DF continua mantendo crescimento expressivo, impulsionada pelos avanços em grãos, fruticultura, floricultura e pecuária.

O Distrito Federal também tem se destacado como a terceira unidade da federação com maior produtividade agrícola por hectare.

No caso de grãos, a produção chega a quase 5.000 kg por hectare. Resultado conseguido com o uso de tecnologia e irrigação, fatores que levam o DF a apresentar média de produtividade maior do que os índices nacionais em algumas culturas. Eis alguns exemplos do desempenho do DF entre 2024 e 2026

  • Safra de Grãos: O DF colheu um volume recorde de 931,5 mil toneladas de grãos (alta de 18,1%), com a área cultivada ultrapassando 186 mil hectares.
  • Soja: Carro-chefe da região, a cultura da soja movimentou cerca de R$ 1 bilhão. A safra 2025/2026 apresentou área de 90 mil hectares, com expectativas de colheita entre 331 mil e 380 mil toneladas. Média superior a 3.700 kg/ha (chegando a picos de 3.900 kg/ha), acima da média nacional.
  • Trigo: Média de 6.200 kg/ha.
  • Maracujá: Rendimento de 27.675 kg/ha.
  • Uva: Produção de 22 a 25 toneladas/ha.

 Agricultura familiar

No Distrito Federal, dos 11 mil produtores cadastrados pela Emater, 8,2 mil são agricultores familiares. Essas pessoas conseguem fazer com que a agricultura familiar continue crescendo, impulsionada por três fatores básicos: alta produtividade, forte viés sustentável e proximidade com o mercado consumidor. Eis as principais características da agricultura familiar no DF:

  • Abastecimento: O pequeno território do DF facilita o abastecimento. Os alimentos chegam rapidamente aos consumidores. O setor responde por cerca de 87% da produção de mandioca e tem alta participação no cultivo de morangos, hortaliças alface e tomate, principalmente), frutas e avicultura.
  • Diversificação: Os agricultores não se limitam apenas à produção de grãos e hortaliças. É comum o investimento em agroindústrias (como queijos premiados), floricultura (como cultivo de suculentas), artesanato e turismo rural.
  • Liderança em orgânicos: O DF é um dos polos nacionais na produção de alimentos orgânicos. A agricultura familiar é a principal responsável por abastecer as feiras e supermercados do DF com esses produtos.
  • Compras governamentais: A produção tem forte escoamento por meio de programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). As compras institucionais de alimentos movimentaram mais de R$ 65 milhões entre 2019 e maio de 2026.
  • Apoio Técnico: A Emater tem ativa atuação na agricultura familiar. Os pequenos produtores recebem orientações técnicas sobre produção e informações financeiras, que facilitam o acesso a crédito.
 Com informações da Emater-DF e Mapa
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