É TEMPO DE FRIO, CHUVAS E GEADAS

O inverno provoca efeitos climáticos que favorecem algumas culturas e prejudicam outras, como o milho - Foto: AGN

Chegou o inverno no Hemisfério Sul, com mudanças climáticas provocadas pelo El Niño

Edição AgroDF
21 junho 2026

 Exatamente às 5h24 deste domingo (21), começou oficialmente o inverno no Hemisfério Sul. Até 22 de setembro, quando chega a primavera, estão previstas duas fortes massas de ar frio – uma no meio e outra no fim de julho. Para o Distrito Federal, a mínima prevista é de 15°C, enquanto a máxima pode chegar aos 27°C ao longo da tarde. A umidade relativa do ar deve variar entre 95% nas primeiras horas do dia e 40% nos períodos mais quentes, mantendo o padrão típico da estação seca em Brasília. Ao longo do inverno, o Centro-Oeste e o Sudeste devem ter pancadas de chuvas fora de época, enquanto no Sul pode chover acima da média.

As previsões estão no Prognóstico Climático de Inverno, feito pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Segundo o prognóstico, duas frente de massa polar vão empurrar o ar frio até Brasília, Goiânia, norte de Minas Gerais e extremo sul da Bahia. Já para a região Sul e algumas áreas do Sudeste, estão previstas temperaturas abaixo de zero e até geadas.

A elevação da temperatura é provocada pelo El Niño (O Menino, em espanhol), fenômeno que provoca o aquecimento da região equatorial do Oceano Pacífico. “O El Niño favorece a ocorrência de mais chuvas na região Sul, podendo causar eventos extremos de chuva, com chuva muito forte um curto período de tempo”, explica o meteorologista do Inmet, Melquizedek Rafael Duarte da Silva. “O inverno já é um período que chove na região Sul. Com acréscimos dos efeitos do El Niño, isso pode ser agravado”, alerta Silva.

 O efeito do inverno na agricultura

No caso específico do Centro-Oeste, o inverno é marcado pelo padrão da estação seca e por altas temperaturas. O principal impacto na agricultura é o déficit hídrico. A falta de chuvas regulares restringe o cultivo de segunda safra (safrinha), acelera a deficiência de umidade do solo e impacta diretamente a produtividade do algodão e do milho.

O inverno afeta a agricultura diminuindo o metabolismo e o crescimento vegetativo das plantas devido às baixas temperaturas. Embora cause danos por geadas em culturas tropicais sensíveis, o frio é essencial para quebrar o ciclo de pragas e doenças, beneficiando o manejo para a próxima safra.

Os principais impactos e dinâmicas da estação incluem:

Efeitos Positivos (Oportunidades)

  • Controle de pragas: O frio intenso e as geadas funcionam como um “herbicida natural”, reduzindo a proliferação de insetos e eliminando plantas hospedeiras de verão.
  • Vazio sanitário: Auxilia na eliminação de plantas voluntárias (como a soja), evitando a disseminação de doenças.
  • Aptidão climática: Culturas como trigo, aveia, brócolis, couve e alface têm seu desenvolvimento favorecido pelas temperaturas amenas e menor umidade.

 Efeitos Negativos (Desafios)

  • Danos por geada: Culturas tropicais e perenes (como o café) são extremamente vulneráveis à “queima” das folhas e queda na produtividade caso ocorram geadas severas.
  • Metabolismo reduzido: A fotossíntese e a absorção de nutrientes diminuem, exigindo atenção redobrada na adubação e manejo.
  • Atraso no desenvolvimento: Culturas anuais em fase de florescimento (como milho e feijão) podem ter a formação de grãos severamente prejudicada pelo frio extremo

 O que é o inverno?

O inverno é um evento astronômico. É quando parte do planeta Terra está recebendo menos radiação do Sol. Enquanto o Hemisfério Sul, onde está o Brasil, conta com menor incidência solar, o Hemisfério Norte, que está no verão, recebe mais radiação.

Como o Brasil é um país de grande extensão territorial, a estação também é sentida de maneira diferente dependendo da localização. Na cidade mais ao sul do Brasil, Chuí (RS), durante os meses de inverno, o Sol nasce por volta das 7h30 e se põe por volta das 17h30. Assim, os dias têm menos de 10 horas de luz.

Em Macapá (AP), devido à localização exata na linha do Equador, o Sol nasce por volta das 6h15 e se põe às 18h15. A cidade não tem estações do ano bem definidas. Esses horários permanecem praticamente constantes o ano todo, com variações de apenas alguns minutos.

Com informações da Agência Brasil
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