Em 2025, área desmatada em todo o país caiu 20,6% em relação a 2024
Edição AgroDF
29 maio 2026
O desmatamento no Brasil em 2025 caiu 20,6% em relação a 2024. Foram desmatados 984.794 hectares da vegetação nativa. É a primeira vez, desde 2019, que a área removida fica abaixo de 1 milhão em um único ano, segundo o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD2025), divulgado pela nesta sexta-feira (29) pela rede MapBiomas.
A queda no desmatamento foi registrada em todos os biomas do país. O MapBiomas alerta que, apesar da redução no desmatamento em 2025, a área desmatada no Brasil chegou à média de 2.698 hectares por dia, cerca de 112 hectares por hora.
O Pantanal registrou a maior redução proporcional entre todos os biomas, enquanto o Cerrado continuou sendo o bioma com maior área desmatada em 2025. No Pantanal houve redução de 48,4% em relação ao ano passado, totalizando 12.260 hectares perdidos no ano.
O Pantanal registrou a maior redução proporcional entre todos os biomas, com queda de 48,4% na área desmatada em relação a 2024, somando 12.260 hectares perdidos no ano. Já no Cerrado foram desmatados com 540.614 hectares em 2025.
Mais desmatados
Além do Cerrado, a Amazônia foi o bioma mais desmatado em 2025. Juntos, os dois biomas responderam por mais de 84% de toda a área desmatada no país no ano passado.
O Cerrado concentrou sozinho 54,9% do desmatamento do país (540.614 hectares), apesar da queda de 16,9% em relação a 2024. O bioma perdeu 1.482 hectares de vegetação nativa diariamente.
Na Amazônia, foram desmatados 289.478 hectares em 2025, uma redução de 23,5% frente ao ano anterior. O desmatamento no bioma foi de 792 hectares por dia, o que equivale à perda de cerca de cinco árvores por segundo, segundo análise do MapBiomas.
O relatório do MapBiomas mostrou que as formações savânicas (predominantes no bioma Cerrado) lideram o tipo de vegetação nativa mais ameaçada. Pelo terceiro ano consecutivo, foram as mais afetadas pelo desmatamento no Brasil, respondendo por 51,4% da área total desmatada, seguidas das formações florestais (predominante na Amazônia) com 46,3%.
Na Amazônia e Mata Atlântica predominou o desmatamento em formações florestais, enquanto nos biomas Cerrado, Caatinga e Pantanal, o predomínio foi de supressão das formações savânicas.
Desmatamento nos estados
A região conhecida como Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia e Mato Grosso) concentrou 40% de todo o desmatamento do país.
No acumulado de 2019 a 2025, o Pará é o estado com maior área desmatada, com mais de 2 milhões de hectares de vegetação nativa perdidos no período. No entanto, em 2025, o estado registrou queda de 40% em relação ao ano anterior.
Entre os estados com maiores reduções absolutas, Maranhão, Pará e Tocantins registraram queda superior a 50 mil hectares de área desmatada. Sergipe e Alagoas reduziram mais de 60% em relação ao ano anterior
Agropecuária e garimpo
Os dados do MapBiomas mostram também que o avanço das atividades agropecuárias e os garimpos ilegais estão associados ao desmatamento. No caso da expansão agropecuária, o setor respondeu por mais de 97% de toda a perda de vegetação nativa no Brasil nos últimos sete anos. Já o garimpo está associado a 99% da área desmatada em 2025 na Amazônia, com atividades concentradas no Pará.
O MapBiomas também associou os desmatamentos a outros vetores. No caso de empreendimentos de energia renovável, concentrados na Caatinga, o vetor respondeu por 97% da área desmatada.
Os desmatamentos associados à expansão urbana apresentaram aumento de 7% em relação a 2024 e concentraram-se principalmente no Cerrado e na Amazônia, que juntos responderam por mais de 60% da área de vegetação nativa perdida vinculadas às áreas urbanizadas.
Desmatamento nos municípios
Mais da metade dos 5.572 municípios brasileiros (2.932) tiveram pelo menos um evento de desmatamento detectado e validado em 2025. Os 10 municípios com maior área desmatada responderam juntos por 15% do total do desmatamento validado no país, sendo que oito desses municípios estão localizados no Matopiba. Só essa região concentra 40% da perda de vegetação nativa do país e 70% do desmatamento registrado no Cerrado.
O município de Canto do Buriti, no Piauí, lidera o ranking de maior área desmatada pela primeira vez na série histórica, com 20.877 hectares desmatados. Localizado no bioma da Caatinga, Canto do Buriti também apresentou o maior evento de desmatamento detectado em 2025, com 20.834 hectares desmatados. A média diária de desmatamento neste município foi de 57,2 hectares, o equivalente a cerca de 80 campos de futebol por dia.
Áreas mais preservadas
As Unidades de Conservação (UCs) e Terras Indígenas são as áreas mais preservadas, segundo o relatório e do MapBiomas. Ainda assim, dentro de UCs, foram desmatados 46.257 hectares em 2025, redução de 21,4% em relação a 2024.
Dentro das unidades de conservação, as UCs de Proteção Integral (federais, estaduais e municipais) – modalidade com maior grau de preservação – registraram queda de 55,8%, com 2.034 hectares desmatados.
O Cerrado responde por 43,5% do desmatamento em UCs, sendo 97% desta área localizada em Áreas de Proteção Ambiental (APAs), que é uma das formas de uso sustentável – com objetivo de conciliar ocupação humana e sustentabilidade dos recursos naturais – localizada dentro de unidades de conservação.
A APA do Rio Preto, na Bahia, com grande parte de seu território no Cerrado, foi a UC com maior área desmatada (7.701 hectares) no Brasil em 2025, com aumento de 44% em relação a 2024.
Em Terras Indígenas, a perda foi de 12.593 hectares, com redução de 22% em relação a 2024. A Terra Indígena Porquinhos dos Canela-Apãnjekra, no Maranhão, permanece pelo terceiro ano consecutivo no topo do ranking (com 4.089 ha desmatados), apesar de ter registrado queda de 34% na área desmatada.
Em 2025, 30% das TIs do Brasil registraram ao menos um evento de desmatamento. Entre 2019 e 2025, a parcela de 1,7% (184.622 hectares) do total de terras desmatadas no Brasil estavam em Terras Indígenas.
Com informações da Agência Brasil












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