Secretaria de Saúde alerta para a proliferação do molusco durante as chuvas no DF
Edição AgroDF
11 março 2026
O caramujo africano é um dos perigos para a população do Distrito Federal nesse período de chuvas torrenciais, quando os terrenos ficam encharcados, a vegetação cresce e a umidade aumenta, transformando-se num ambiente ideal para a proliferação do molusco. Diante do risco, a Secretaria de Saúde (SES) está recomendando aos moradores ações preventivas para que não sejam infectados por esse tipo de caracol.
O biólogo Israel Moreira, da Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival) da Secretaria de Saúde, recomenda manter os quintais limpos, roçar o gramado e retirar entulhos e restos de material construção. “A coleta deve ser diária ou ao menos três vezes por semana, especialmente após a chuva ou em horários mais frescos do dia, quando os animais estão mais ativos”, aconselha Moreira.
Como combater
Caso identifique em casa o caracol, também denominado de caramujo africano, o próprio morador pode fazer a coleta, sempre utilizando luvas ou sacos plásticos. Os animais devem ser colocados em balde ou lata metálica. É também recomendado procurar pelos ovos do caracol, que costumam estar semienterrados em locais úmidos, sob folhas, junto a entulhos e restos de construção.
Tanto as conchas quanto os ovos devem ser esmagados com um martelo ou um pedaço de madeira. A quebra das conchas é necessária para evitar que acumulem água e se tornem possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue, da febre chikungunya e da zika.
“Após esse processo, é necessário adicionar uma solução na proporção de um litro de água sanitária para três litros de água, o suficiente para deixar os caracóis submersos”, orienta o biológo. “É muito importante cobrir o recipiente para evitar fugas e deixar de molho por 24 horas”.
Passado esse período, os caracóis e os ovos devem ser drenados e colocados em saco resistente para descarte no lixo comum. Outra forma é enterrá-los. “Neste último caso, o material drenado pode ser colocado em valas com profundidade de 80 cm a 1,5 metro, revestidas por uma camada de cal virgem, que tem a função de impermeabilizar o solo e evitar que outros animais sejam atraídos. Esse processo deve ser feito longe de lençóis freáticos, cisternas ou poços artesianos”, ensina Moreira.
Transmissão de doenças
Quando infectado por vermes, o molusco pode contaminar seres humanos por meio de superfícies de diferentes alimentos, provocando doenças como meningite eosinofílica (inflamação das membranas cerebrais) e enterite eosinofílica (doença crônica no intestino delgado).
A infecção ocorre principalmente pela ingestão de larvas presentes em frutas, verduras e hortaliças que tiveram contato com o muco deixado pelo molusco. Também pode ocorrer ao tocar o animal sem proteção e, em seguida, levar as mãos à boca ou aos olhos antes de higienizá-las.
Por isso, a proteção e a higienização adequada desses alimentos são indispensáveis. Recomenda-se deixá-los por 30 minutos em solução preparada com uma colher de sopa de água sanitária para cada litro de água e, depois, enxaguá-los bem em água corrente antes do consumo.
Como identificar
O caracol africano é um molusco terrestre exótico invasor, considerado uma das espécies mais invasoras do mundo. Originário do leste da África, foi trazido ilegalmente ao Brasil nos anos 80, proliferando-se em climas quentes e úmidos e representando sérios riscos à biodiversidade, à economia e à saúde pública.
Hermafrodita, pode se reproduzir de duas a cinco vezes ao ano e colocar de 50 a 400 ovos por ciclo reprodutivo. Os ovos são brancos ou amarelados, com tamanho semelhante ao de sementes de mamão.
A concha do caracol africano é marrom-escura, com listras esbranquiçadas, podendo atingir até 15 centímetros de comprimento. Nela há uma abertura com borda afiada e cortante, além da ponta alongada na parte traseira. Essas características diferenciam-se das conchas das espécies nativas do Brasil, pertencentes ao gênero Megalobulimus, que apresentam coloração marrom-clara a rosada.












COMENTÁRIOS