O CERRADO PEDE SOCORRO

Cerrado: devastação já atinge uma área do tamanho do Distrito Federal - Foto: Renato Araújo/Agência Brasíli

O bioma é o “berço das águas” do Brasil, mas vem sofrendo com a devastação acelerada

Edição AgroDF
11 setembro 2026

11 de setembro é o Dia Nacional do Cerrado. Esse bioma é fundamental para o Brasil por atuar como o principal “berço das águas” do país e abrigar a savana mais rica em biodiversidade do mundo. Apesar da sua importância, o Cerrado vem perdendo sua vegetação nativa num ritmo que é proporcionalmente maior do que o da Amazônia.

A comemoração da data contribui para despertar a sociedade sobre as agressões que o Cerrado vem enfrentando e fortalecer as políticas públicas em defesa da preservação e da exploração racional do bioma.

Buscando fortalecer essa corrente em defesa do Cerrado, o portal AGRODF trás alguns tópicos sobre as características, a importância e os problemas que o bioma vem enfrentando. Confira.

O Berço das Águas

  • Caixa d’água nacional: O Cerrado abriga nascentes e áreas de recarga que alimentam oito das 12 grandes bacias hidrográficas brasileiras, incluindo as dos rios Amazonas, São Francisco e Prata.
  • Grandes aquíferos: O subsolo da região guarda importantes reservatórios subterrâneos, como o Aquífero Guarani, o Bambuí e o Urucuia, essenciais para a segurança hídrica do continente.
Onça-pintada: o maior felino das Américas também habita o Cerrado – Foto: Agência Brasil

Biodiversidade Única

  • Riqueza de espécies: O Cerrado concentra cerca de 30% da biodiversidade do Brasil e abriga milhares de espécies de plantas, aves, insetos e outros animais que não existem em nenhum outro lugar.
  • Floresta invertida: As plantas possuem raízes profundas que ajudam a infiltrar a água da chuva no solo e armazenam grandes quantidades de carbono, ajudando no equilíbrio climático.

Desafios e Ameaças

  • Vegetação nativa: O Cerrado perdeu mais de 50% de sua vegetação nativa total em ritmo acelerado nas últimas décadas, liderando o ranking nacional de desmatamento no Brasil.
  • Liderança nacional: O bioma concentra mais de metade (55%) de toda a área desmatada do país.
  • Perda anual: Foram suprimidos pouco mais de 540 mil hectares de vegetação nativa recentemente, o equivalente a quase todo o território do Distrito Federal (5.760,78 km²).
  • Desmatamento Acelerado: O ritmo de perda da vegetação nativa no Cerrado supera o da Amazônia em termos proporcionais. A substituição da vegetação original ocorre principalmente para a abertura de grandes pastagens e lavouras de monocultura, como a soja.
  • Crise Hídrica e Secamento de Rios: A destruição da “floresta invertida” (as raízes profundas que ajudam a infiltrar a água da chuva) impede a recarga dos aquíferos. Como consequência, centenas de rios e riachos da região estão perdendo vazão ou secando completamente de forma sazonal.
  • Queimadas Descontroladas: Embora o fogo faça parte da ecologia natural do Cerrado em ciclos específicos, os incêndios provocados pela ação humana fora de época e em alta intensidade destroem a biodiversidade e liberam enormes volumes de gases de efeito estufa.
  • Uso Intensivo de Agrotóxicos: O modelo de agricultura em larga escala na região consome grandes volumes de defensivos agrícolas, que contaminam o solo, poluem as águas subterrâneas e causam a morte de polinizadores essenciais, como abelhas.
  • Baixa Proteção Legal: O Cerrado possui menos de 10% de seu território protegido por Unidades de Conservação (como Parques Nacionais), e o Código Florestal exige que as propriedades privadas da região preservem apenas 20% (ou 35% se estiver na Amazônia Legal) de sua área como Reserva Legal, um percentual muito menor do que os 80% exigidos na floresta amazônica.

Fauna e flora do Cerrado

O Cerrado abriga uma rica biodiversidade, com milhares de espécies de animais e plantas adaptadas a um clima com estações secas e chuvosas bem definidas. Eis algumas das principais espécies da fauna (animais) e da flora (plantas).

Fauna

  • Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus): O maior canídeo da América do Sul, conhecido por suas pernas longas e pelagem avermelhada.
  • Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla): Animal de grande porte que se alimenta principalmente de formigas e cupins.
  • Onça-pintada (Panthera onca): O maior felino das Américas, que também transita por áreas do bioma.
  • Seriema (Cariama cristata): Ave terrícola característica que prefere correr a voar.
  • Tatu-canastra (Priodontes maximus): O maior tatu do mundo.
Baru: a amêndoa é rica em proteínas – Foto: Liliane Farias–Agência Brasil

Flora

  • Pequizeiro (Caryocar brasiliense): Árvore famosa por produzir o pequi, fruto muito usado na culinária regional.
  • Ipê-amarelo (Handroanthus chrysanthus): Árvore símbolo que se destaca pela intensa floração amarela durante a seca.
  • Barbatimão (Stryphnodendron adstringens): Planta medicinal com casca grossa e rica em tanino, adaptada ao fogo.
  • Buriti (Mauritia flexuosa): Palmeira encontrada em áreas úmidas e veredas do bioma.
  • Pau-terra (Qualea grandiflora): Árvore típica de troncos tortuosos e casca corticosa.
  • Baru (Dipteryx alata): O baruzeiro é uma árvore grande e resistente. O fruto tem casca dura, polpa fibrosa e guarda uma única amêndoa comestível. A castanha lembra o sabor do amendoim, sendo consumida torrada ou usada em doces e farinhas. É rica em proteínas (cerca de 26%), ferro, zinco, magnésio e gorduras boas como ômega-3, 6 e 9. O consumo regular ajuda a reduzir o colesterol ruim.
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