Alimentos que iriam para os EUA vão abastecer merenda escolar e hospitais
Edição AgroDF
21 agosto 2025
O Governo Federal vai comprar alimentos perecíveis – frutas, peixes e carnes – que iriam para os Estados Unidos, cuja exportação para o mercado norte-americano foi inviabilizada por causa do tarifaço de 50% imposto pelo presidente Donald Trump a produtos brasileiros.
Esses produtos serão destinados à merenda escolar, hospitais, restaurantes universitários, Forças Armadas e programas de aquisição de alimentos destinados às populações em insegurança alimentar.
O anúncio foi feito pelo ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, em entrevista na noite desta quarta-feira (20) ao programa “A Voz do Brasil”. “O governo vai incluir em todos os seus editais de compras públicas a aquisição para que não haja perda de alimentos”, ressaltou Teixeira.
“O governo vai estimular que estados e municípios possam adquirir esses produtos pelos programas públicos da alimentação escolar”, destacou o ministro, para quem essas compras vão proteger os empreendedores diretos e toda a cadeia produtiva.
Preço do mercado interno
Teixeira acredita que os exportadores venderão os produtos pelo preço que eles utilizariam no mercado interno. “Certamente o governo não tem como pagar o preço em dólar, que é o preço de exportação”, explicou. “Mas o governo tem como pagar o preço do mercado interno”.
O ministro disse ainda que o governo tomou essa decisão ao perceber que alguns setores produtivos conseguem redirecionar rapidamente esses alimentos para outros países. Citou, como exemplo, o caso da castanha-do-Pará, que tende a ser comercializada para o mercado europeu. “O mesmo acontece com o café”, comparou. “Não tem café no mundo hoje, em lugar nenhum, para substituir o produto brasileiro”.
No caso da carne, o ministro afirmou que o produto pode ser estocado, congelado e redirecionado. Já produtos como mel, açaí, uva e peixes, que são mais perecíveis, deverão ser absorvidos nos programas nacionais de compras públicas. Teixeira não informou quando essas compras começarão a ser feitas.