Mas chuvas provocam oscilação nos preços dos produtos nas Centrais de Abastecimento
Edição AgroDF
27 outubro 2026
Nos primeiros nove meses de 2026, as exportações brasileiras de frutas e hortaliças alcançaram 909 mil toneladas, volume 6,61% maior em comparação ao mesmo período do ano passado. O faturamento foi de U$S 1,17 bilhão, superando em 17,56% o registrado no mesmo período de 2025.
As vendas externas até agosto cresceram no acumulado até setembro. Destaque para as exportações de maçãs (255%), pêssegos (101%), abacates (100,5%), mangas (26,4%) e mamões (4,14%), conforme divulgou nesta terça-feira (27) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Já o 10º Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort) da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado também nesta terça-feira, mostra que a produção de algumas frutas foi prejudicada pelas chuvas que caíram em algumas regiões, especialmente no Sul e Sudeste, causando oscilação nas cotações tanto de frutos quanto de hortaliças.
Frutas
A companhia analisou as cotações de diversas frutas nas Centrais de Abastecimentos (Ceasas). O boletim da Conab informa que em setembro, com a aceleração do consumo dos estoques das câmaras frias, após o fim da colheita da safra 2025/26, ocorreu alta nos preços nas Ceasas e queda da comercialização. Em relação à primeira quinzena do mês de outubro os preços, na sua maior parte, permaneceram estáveis ou sem tendência definida entre os entrepostos atacadistas.
Entre as frutas analisadas está a melancia. Os preços da fruta recuaram 11,06% na média ponderada. A queda foi sentida na segunda quinzena de setembro, a partir do aumento da produção de Uruana, em Goiás, registrada após a melhora das condições climáticas, uma vez que a maior incidência de chuvas em fins de agosto e início de setembro prejudicaram o desenvolvimento das frutas nessa região.
O preço do mamão também caiu, com variação negativa de 8,92% na média ponderada. Em setembro as cotações caíram nos entrepostos atacadistas, com elevação da oferta do mamão papaya nas Ceasas, enquanto a variedade formosa permaneceu com oferta restrita.
A Conab também identificou redução, em menor percentual, para a banana. As cotações caíram 2,63% na média ponderada de setembro em comparação com agosto. Já em relação à primeira quinzena do mês de outubro, os preços seguem apresentando tendência de baixa na maior parte das Ceasas analisadas para as duas variedades.
O mesmo não ocorreu com a laranja, cuja cotação teve alta de 3,28% na média ponderada, por causa do maior peso no cálculo dos entrepostos mineiro, carioca e paulistano. A alta também foi verificada para a maçã, com elevação na média ponderada em 11,99%.
Hortaliças
As chuvas registradas nas principais regiões produtoras da região Sudeste vêm afetando o ritmo de colheita, dificultando os plantios e comprometendo a produção, o que tem contribuído para sustentar os preços em patamares elevados, conforme a Conab.
No caso da cenoura, o preço caiu em julho, ficou estável em agosto e em setembro recuou 16% na média ponderada, registrando o menor volume comercializado nas Ceasas – cenário que se mantém na primeira quinzena de outubro.
Já para alface, cebola, batata e tomate, as condições climáticas tiveram o efeito oposto ao verificado para a cenoura. No caso da alface, a Conab aponta alta de 15,69% na média por causa do maior peso no cálculo das cotações praticadas na Ceasa de São Paulo. Na Ceagesp, o aumento em setembro chegou a 48,3% em relação à média de agosto.
As chuvas também prejudicaram a colheita da cebola. Com a redução da oferta do produto nos mercados analisados, os preços da cebola em setembro subiram 48,9% na média ponderada.
No caso da batata, o preço voltou a subir em setembro após dois meses consecutivos de queda, apresentando alta de 32,88% na média ponderada. Apenas na Ceasa de Santa Catarina foi verificada queda nos preços praticados.
O tomate, por sua vez, registrou uma das maiores altas expressivas entre as hortaliças nas Ceasas. As chuvas frequentes e o excesso de umidade nas regiões produtoras do Sul e Sudeste atrapalharam a colheita, atrasaram a maturação e reduziram a oferta, fazendo os preços dispararem (com saltos superiores a 30% a 48% na média ponderada e picos locais ainda maiores), desafiando o padrão histórico em que o produto normalmente fica mais barato no segundo semestre.












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