MIÚDOS SUÍNOS PARA A CHINA

Acordo Brasil-China: ampliação da exportação de miúdos suínos fortalece suinocultura brasileira - Foto: Divulgação

Brasil prevê exportar 100 mil toneladas do produto e faturar US$ 100 milhões por ano

Edição AgroDF
28 setembro 2026

O Brasil vai poder exportar miúdos de suínos para a China. Acordo nesse sentido foi assinado neste sábado (26) pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e o embaixador chinês Zhu Qingqiao, após aprovada a revisão do protocolo sanitário bilateral para exportação de miúdos. Com o acordo, o Brasil deve exportar 100 mil toneladas anuais do produto, com previsão de gerar arrecadação superior a US$ 100 milhões por ano para o setor.

Para o ministro André de Paula, a assinatura do acordo representa mais um momento importante na relação comercial entre os dois países. “Significa um capítulo importante na suinocultura brasileira, acesso ao mercado de mais de US$ 2,5 bilhões por ano, valorização da nossa produção e mais renda e emprego no campo e na indústria”, enumerou.

Por sua vez, a China, a maior produtora e consumidora de carne suína do mundo, a compra de miúdos representa mais uma fonte segura de alimentos, com a garantia do sistema sanitário brasileiro, segundo o ministro.

O embaixador Zhu Qingqiao destacou que o acordo abre novas oportunidades para as exportações brasileiras ao mercado chinês. “É mais um resultado concreto dos nossos esforços conjuntos e uma demonstração clara do dinamismo e vitalidade das cooperações agropecuárias entre os dois países”, ressaltou, lembrando que a China, há 18 anos consecutivos, é o maior mercado de exportação dos produtos agrícolas e pecuários brasileiros.

Na avaliação da embaixadora Susan Kleebank, secretária de Ásia e Oceania do Ministério das Relações Exteriores (MRE), a assinatura da versão ampliada do protocolo para a exportação de carne suína é “um exemplo da dinâmica ganha-ganha que caracteriza o relacionamento Brasil-China”.

Auditoria chinesa

A assinatura do acordo ocorreu após ser encerrada a auditora chinesa a frigoríficos brasileiros, iniciada no último dia 20. Durante esse período, técnicos chineses visitaram estabelecimentos de produção, fazendas, abatedouros, laboratórios oficiais em seis estados do país, voltados para carnes bovina, suína e de aves.

No acordo, foram definidos os requisitos sanitários e de certificação, além das condições aplicáveis aos estabelecimentos brasileiros interessados em exportar esses produtos. Com o novo protocolo, as empresas habilitadas deverão observar os requisitos acordados entre as autoridades sanitárias dos dois países para realizar as exportações.

A ampliação do acesso permite direcionar a um mercado de maior valor agregado produtos que, em outros destinos, apresentam menor valor comercial, ampliando as possibilidades de geração de receita para a cadeia produtiva. Nesse contexto, a medida representa um marco para a suinocultura brasileira.

Lista de miúdos suínos

Em maio de 2025, o Brasil foi reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como país livre de febre aftosa sem vacinação. Atualmente, apenas alguns tipos de miúdos, como pés, orelhas, rabo, língua, focinho e máscara suína, são autorizados para exportação à China, em razão do reconhecimento sanitário concedido à região pelas autoridades chinesas em relação à febre aftosa.

Com o acordo, a lista foi bastante ampliada. Passaram a integrar a lista de miúdos e coprodutos autorizados para exportação à China os seguintes artigos suínos:

  • músculo suíno congelado, desossado ou com osso, incluindo gordura;
  • miúdos e coprodutos comestíveis congelados, como banha suína não refinada, composta apenas por gordura corporal (sem incluir gordura proveniente das vísceras);
  • línguas suínas;
  • máscara suína;
  • focinho suíno;
  • orelhas suínas;
  • cauda suína;
  • pés suínos inteiros;
  • pele suína;
  • cartilagem suína (sem incluir cartilagem derivada da garganta, glote ou vísceras);
  • estômagos suínos;
  • fígado suíno;
  • coração suíno;
  • rins suínos;
  • diafragma suíno; e
  • ossos suínos.

Mercado chinês

A China está entre os maiores mercados consumidores e importadores de produtos de origem suína do mundo, com importações que somam aproximadamente US$ 2,5 bilhões em miúdos suínos.

A ampliação do protocolo aumenta o conjunto de produtos brasileiros autorizados a ingressar nesse mercado e cria novas possibilidades comerciais para os estabelecimentos habilitados, contribuindo para a diversificação da pauta exportadora.

Além dos aspectos comerciais, relacionados a volumes e receitas, a abertura também aproxima a produção brasileira dos hábitos alimentares chineses. O consumo de miúdos faz parte da culinária da China e está presente no cotidiano da população, tanto em restaurantes quanto nos lares.

Com informações do Ministério da Agricultura e Pecuária
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