INFLAÇÃO VOLTA A CAIR

Os preços dos alimentação e bebidas aliviaram o bolso dos consumidores em julho – Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias

Julho fechou em 0,07%, o menor índice registrado no primeiro semestre de 2026

Edição AgroDF
12 agosto 2026

Em julho, os preços dos alimentos voltaram a cair, recuo que ajudou a inflação oficial a cair pelo quarto mês consecutivo, fechando em 0,07%. Com esse resultado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 meses fechou em 4,44%, levando o indicador e retornar para a meta estabelecida pelo Governo Federal.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o instituto, o IPCA de julho é o menor já registrado no primeiro semestre de 2026. O índice confirmou a estimativa do mercado. Na segunda-feira (10), o boletim Focus , sondagem do Banco Central com instituições econômicas, projetava que a inflação de julho ficaria em 0,07%. Para o fim de 2026, o mercado espera IPCA em 5,02%.

O IPCA apura o custo de vida para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. Ao todo, são coletados preços de 377 subitens (produtos e serviços).

A coleta de preços é feita em dez regiões metropolitanas: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. A pesquisa abrange ainda Brasília e as capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.

Confira o resultado da inflação oficial em 2026:

MÊSIPCA
Janeiro0,33%
Fevereiro0,70%
Março0,88%
Abril0,67%
Maio0,58%
Junho0,16%
Julho0,07%

 

De volta à meta

A inflação de julho fez com que o acumulado de 12 meses (4,44%) entrasse novamente na meta do governo: de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, um intervalo de 1,5% a 4,5%. Em abril, o acumulado estava em 4,39%, mas o índice extrapolou o limite máximo em maio (4,72%) e junho (4,64%).

Desde o início de 2025, o período de avaliação da meta é referente aos 12 meses imediatamente passados e não apenas ao alcançado no fim do ano (dezembro). A meta é considerada descumprida se a inflação estourar o intervalo de tolerância por seis meses seguidos.

Os preços em julho

O resultado de julho foi o menor desde agosto de 2025, quando o IPCA marcou – 0,11%. Levando em consideração apenas os meses de julho, o desempenho do mês passado é o menor desde 2022 (-0,68%).

O índice de difusão em julho, que mostra o quanto a inflação está espalhada no mês, foi de 50%, ou seja, metade dos 377 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE teve aumento de preço.

Confira como foi o comportamento dos preços e o impacto em ponto percentual (p.p.) nos nove grupos pesquisados pelo IBGE:

GRUPO%
Alimentação e bebidas-0,67% (-0,14 p.p.)
Educação-0,03% (0 p.p.)
Vestuário-0,66% (-0,03 p.p.)
Transportes0,05% (0,01 p.p.)
Artigos de residência0,07% (0 p.p.)
Despesas pessoais0,22% (0,02 p.p.)
Saúde e cuidados pessoais0,40% (0,06 p.p.)
Habitação0,99% (0,15 p.p.)

Alimentos e bebidas

O grupo Alimentação e Bebidas, o de maior peso na cesta de compras das famílias brasileiras, pelo segundo mês consecutivo apresentou deflação, ou seja, inflação negativa. Em junho, o recuo foi de 0,24%.

A alimentação especificamente no domicílio ficou 1,14% mais barata em julho, puxada pela queda do subgrupo Tubérculos, Raízes e Legumes (-16,15%).

Eis os subitens alimentícios que mais puxaram a inflação para baixo no mês passado:

  • Tomate: -29,09% (-0,10 p.p.)
  • Batata-inglesa: -19,59% (-0,06 p.p.)
  • Cenoura: -14,41% (-0,01 p.p.)
  • Café moído: -2,45% (-0,01 p.p.)

Em relação ao café, o IBGE destaca que a queda em 12 meses (-17,2%) é a maior desde o início do Plano Real, em 1994. O economista Fernando Gonçalves, analista da pesquisa, explica que os alimentos mais baratos são reflexo de maior oferta de produtos, beneficiada por questões climáticas. “O clima ficou mais favorável”, afirma.

Energia elétrica

A energia elétrica ficou 3,09% mais cara, exercendo o principal impacto individual de alta no mês (0,13 p.p.). Segundo o IBGE, a explicação está nos reajustes das tarifas em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Como o IPCA é um índice nacional, comportamentos específicos em regiões pesquisadas são refletidos na média final do índice.

Gonçalves lembra que a conta de luz deve apresentar um refresco no bolso do consumidor em agosto, uma vez que eles receberão o desconto na fatura de energia conhecido como Bônus Itaipu, já aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Transportes

Dentro do grupo transportes, as passagens aéreas se destacaram como maior aumento (11,67%). Já os combustíveis ficaram 1,44% mais baratos, com recuo do etanol (-2,26%), gasolina (-1,37%), óleo diesel (-1,22%) e gás veicular (-0,08%).

Com informações da Agência Brasília
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