GUIA PARA ENFRENTAR EL NIÑO

No Centro-Oeste, temperatura alta e a baixa umidade podem ampliar a ocorrência de incêndios - Foto: Agência Brasil

Prefeituras são orientadas a adotar medidas antes, durante e depois do fenômeno

Edição AgroDF
27 julho 2026

Um guia técnico para prevenir e enfrentar os efeitos do El Niño foi lançado nesta semana pela Associação Brasileira de Municípios (ABM) para auxiliar as prefeituras a prevenir e enfrentar esse fenômeno climático, que tende a ser bastante intenso nos próximos meses.

O Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos  foi elaborado diante das previsões da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que apontam 81% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. Além disso, há 97% de chances de o fenômeno permanecer ativo até o início de 2027.

Os efeitos podem variar de acordo com cada região, segundo a ABM. “No Centro-Oeste, o calor e a baixa umidade podem ampliar a ocorrência de incêndios, especialmente no Pantanal”, aponta a associação. “Norte e Nordeste tendem a enfrentar redução das chuvas, estiagens, queda no nível dos rios, pressão sobre o abastecimento e aumento do risco de queimadas”.

Alerta ainda a ABM: “No Sudeste, são esperados períodos de calor intenso, baixa umidade e irregularidade das chuvas. Já o Sul apresenta maior risco de temporais persistentes, enchentes, alagamentos e deslizamentos”.

O guia da ABM: orientações aos prefeitos

Orientações

O guia reúne orientações para as etapas de prevenção, resposta e recuperação após desastres. Entre as recomendações estão o mapeamento de áreas de risco, a atualização de planos de contingência, a definição prévia de abrigos e equipes de atendimento e a organização de ações emergenciais, como evacuação, acolhimento de famílias e manutenção de serviços essenciais.

A entidade destaca que a resposta a desastres climáticos deve envolver diferentes áreas da administração municipal, como saúde, assistência social, infraestrutura, educação, meio ambiente e finanças. O guia está disponível gratuitamente no portal da ABM (https://abm.org.br/).

Entenda o El Niño

O El Niño é um fenômeno climático natural que envolve o aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o enfraquecimento dos ventos alísios e alterações na circulação atmosférica global.

O nome El Niño surgiu há cerca de 200 anos, quando pescadores peruanos observaram que as águas do Oceano Pacífico ficavam mais quentes em determinados períodos, geralmente próximos ao Natal. Em homenagem ao Menino Jesus, eles passaram a chamar o fenômeno de “o menino” em espanhol, segundo a agência científica NOAA.

Impactos do El Niño em cada região do Brasil

Eis o que o fenômeno provoca:

  • Aquecimento das águas: A temperatura da superfície do mar no Pacífico central e oriental fica acima da média por vários meses.
  • Ventos fracos: Os ventos alísios, que normalmente sopram de leste para oeste levando água quente para a Oceania, enfraquecem.
  • Mudança no ar: O calor acumulado muda a direção das chuvas e da umidade em várias partes do mundo

Eis os impactos previstos para cada região brasileira:

  • Centro-Oeste e Sudeste: Temperaturas mais altas e maior irregularidade no regime de chuva
  • Sul: Aumento do volume de chuvas e maior risco de temporais e enchentes.
  • Norte e Nordeste: Redução das chuvas, o que favorece secas e queimadas.
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