Brasil apresenta caminhos para enfrentar o desmatamento e salvar as florestas
Edição AgroDF
3 novembro 2026
O documento “Mapas do Caminho para o Fim do Desmatamento e da Degradação Florestal”, destinado a orientar os países para enfrentar a crise climática global, foi apresentado nesta terça-feira (3) pela presidência brasileira da COP30. Os mapas irão reforçar a posição do Brasil na 31ª Conferência sobre Mudança do Clima (COP31), que ocorrerá na cidade de Antália, Turquia, de 9 a 20 de novembro de 2026. O documento recomenda que o financiamento global para salvar as florestas seja de US$ 300 bilhões por ano até 2030.
Os mapas são um guia voluntário e metodológico, não sendo um tratado com força de sanção jurídica obrigatória. Foi estruturado para orientar discussões até marcos globais, como o segundo Balanço Global de 2028. Os documentos buscam transformar compromissos climáticos em medidas concretas, com participação dos governos, empresas e instituições financeiras.
OS MAPAS
São dois documentos. Um deles é o “Mapa do Caminho para a Transição para o Afastamento dos Combustíveis Fósseis nos Sistemas Energéticos”. Nele estão diretrizes voltadas para que se faça a transição energética distante do uso de combustíveis fósseis.
O outro é o “Mapa do Caminho para Parar e Reverter o Desmatamento e a Degradação Florestal até 2030”, que apresenta propostas para conter a destruição e recuperar as florestas ao longo dos próximos quatro anos.
Ambos mapas são apresentados como ferramentas de aplicação global voltadas para orientar os países sobre medidas a serem adotadas visando reduzir as emissões de gases do efeito estufa, principais responsáveis pelas mudanças do clima.
Os mapas podem ajudar os países para que tracem seus próprios diagnósticos, identifiquem a etapa em que estão para atingiram as metas, consigam alavancar os resultados a partir de ações para implementação e, finalmente, se juntem em um mutirão global de resultados.
Transição é possível
O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, esclareceu que os mapas não são mais parte da negociação, mas sim contribuições efetivas para ajudar os países a implementar o que já foi acordado.
Já a diretora-executiva da COP30, Ana Toni, ressaltou que os mapas mostram que a transição é possível e que todos os países já estão em condições de iniciar o trabalho nacional imediatamente.
Na prática, segundo ela, os países poderão descarbonizar a forma de gerar energia e também desenvolver ainda mais suas economias, ampliando a oferta no setor, protegendo trabalhadores e comunidades locais. E o caminho pode ser seguido de forma diferente, conforme a realidade de capa país, mas com o mesmo objetivo global.
PRINCIPAIS PROPOSTAS
Eis as principais propostas estabelecidas pelo Mapas do Caminho.
Dimensões prioritárias
O documento estrutura sua abordagem em seis dimensões principais:
• Conservação de ecossistemas florestais.
• Manejo florestal sustentável.
• Agrossilvicultura e bioeconomia.
• Combate à degradação florestal (focando em danos silenciosos que afetam o carbono e as chuvas).
• Combate ao desmatamento.
• Restauração, reflorestamento e plantio de florestas.
Etapas do caminho
Para viabilizar a implementação nacional, o mapa sugere um ciclo de cinco etapas:
1. Diagnosticar as condições reais das florestas e os principais fatores de perda.
2. Alinhar políticas públicas, instituições e mecanismos de financiamento.
3. Focar em resultados mensuráveis.
4. Executar as ações e monitorar o progresso continuamente.
5. Avaliar e ajustar a implementação de acordo com os dados obtidos.
Cooperação internacional
O roteiro aponta quatro frentes de cooperação, focadas em transparência, assistência técnica, combate ao crime transnacional e incentivos comerciais, além de destacar metas financeiras cruciais:
• Aponta que o financiamento florestal global precisa saltar de cerca de US$ 84,5 bilhões (registrados em 2023) para mais de US$ 300 bilhões por ano até 2030.













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