Campanha visa estimular o brasileiro a comer pescado pelo menos uma vez por semana
Edição AgroDF
28 agosto 2026
A 23ª Semana Nacional do Pescado de 2026 ocorrerá de 1º a 15 de setembro, com uma ampla campanha de mobilização voltada a incentivar o consumo regular de peixes e frutos do mar, buscando também e fortalecer o empreendedorismo pesqueiro em todas as regiões do país. O estado do Mato Grosso do Sul se antecipou, abrindo a programação já no dia 31 de agosto (segunda-feira) no Mercadão Municipal de Campo Grande.
A proposta central da Semana da Pesca é estimular os brasileiros a criarem o hábito a consumir pescado ao menos uma vez por semana. Para o ministro da Pesca e Aquicultura (MPA), Édipo Araújo, o país precisa comer mais pescado. “Nós precisamos universalizar o consumo do pescado no Brasil”, defende Araújo. “O setor produtivo está muito organizado. São pescadores, armadores, feiras e empresas que envolvem essa cadeia. O pescado brasileiro precisa estar na nossa mesa. Que a nossa população possa consumir o pescado que é altamente nutritivo”.
Crescimento do consumo
A Semana Nacional do Pescado foi criada em 2003 pelo Ministério da Pesca. Em 22 anos, o consumo mais do que dobrou. Entre 2003 e 2025, o consumo de pescados no Brasil cresceu de 6,5 kg para 10,5 kg por habitante ao ano, representando um aumento total aproximado de 60% a 65% no período.
O consumo foi subindo gradualmente, impulsionado pela melhoria de renda e pela expansão da piscicultura. Entre 2010 e 2020, o consumo ficou na faixa de 9 kg a 10 kg por pessoa. Já em 2005, houve um salto adicional de 8,2% no volume vendido no varejo nos primeiros nove meses, motivado pela alta nos preços das carnes bovina. Assim, naquele ano o consumo médio per capital nacional foi de 10,5 kg.
Eis alguns dos principais fatores que contribuíram para aumentar o consumo de peixe no Brasil.
- Tilápia: É a principal espécie de cultivo no país, respondendo por grande parte da oferta e liderando a preferência nos lares.
- Preço: Enquanto a carne bovina disparou no mercado interno, o reajuste nos preços dos pescados manteve-se bem mais estável, atraindo as famílias.
- Produção: A piscicultura nacional ultrapassou a marca histórica de 1 milhão de toneladas de peixes cultivados, garantindo abastecimento constante.
Consumo por região
O consumo de pescado no Brasil é marcado por fortes disparidades regionais, onde a proximidade com grandes bacias hidrográficas e os hábitos culturais determinam o volume e as espécies preferidas em cada local. Enquanto a média nacional fica em torno de 10,5 kg por habitante ao ano, os extremos vão de mais de 14 kg a menos de 1 kg por pessoa.
Veja o consumo por região, com base em dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE.
Norte: líder isolada
- É a região que mais consome pescado no país, com uma média que varia de 14 kg a 17,5 kg por pessoa ao ano. Em comunidades ribeirinhas específicas da Amazônia, esse número chega a passar de 40 kg anuais. Na região, predomina o consumo de peixes nativos frescos, com destaque para o tambaqui e o pirarucu. O estado do Amazonas lidera o ranking nacional.
Nordeste: consumo litorâneo
- Apresenta um consumo intermediário-alto, impulsionado tanto pela pesca artesanal costeira quanto pelo avanço da piscicultura no interior. Estados como Ceará e Pernambuco historicamente registram taxas elevadas. A tilápia fresca tornou-se a espécie mais consumida na maior parte do litoral nordestino. Peixes marinhos, como a corvina (muito popular na Bahia) e a cavala, também têm forte apelo regional.
Sudeste: Grande volume, baixo per capita
- Embora seja o maior mercado consumidor em volume total (devido à enorme população concentrada em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais), o consumo por habitante fica na média ou ligeiramente abaixo do índice nacional. O Rio de Janeiro consome mais peixe fresco por hábito litorâneo, tendo a corvina como destaque. Já em São Paulo e Minas Gerais, a dinâmica muda. Em São Paulo, o maior consumo domiciliar registrado é o de sardinha em conserva (enlatados) por conta da praticidade. Em Minas Gerais, a tilápia de cultivo lidera as preferências.
Centro-Oeste: Tradição de Água Doce
- Registra índices moderados, mas com consumo muito focado em peixes de água doce, pescados em grandes bacias locais (como a do Pantanal e do Araguaia) ou criados em cativeiro. As espécies nativas mais consumidas são o pacu, o pintado e o tambaqui, que dividem espaço com a tilápia, espécie que avança na produção regional.
Sul: menor consumo do país
- É a região com o menor consumo de pescado por habitante no Brasil. A região, tradicionalmente, consome mais carnes bovina, suína e de aves. O Paraná é o estado da região que consome menos peixe: média inferior a 1 kg por habitante ao ano. Assim como no Sudeste, a sardinha em conserva é o produto mais presente nas mesas. O consumo de peixe fresco (como a tilápia e carpas) costuma se concentrar fortemente em períodos específicos, como a Quaresma.












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