CAFÉ E CARNE FORA DO TARIFAÇO

O café está entre os produtos não afetados pelo novo tarifaço dos EUA - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Mas nova taxação dos EUA atingiu produtos como açúcar, etanol e máquinas agrícolas

Edição AgroDF
17 julho 2026

 O novo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos a produtos importados do Brasil deixou de fora da lista café, carne bovina, petróleo e itens da aviação civil, que juntos responderam por um terço da pauta das exportações brasileiras para o mercado norte-americano no primeiro semestre de 2026.

A lista de produtos não tarifados inclui ainda produtos como celulose, minério de ferro, ferro-gusa, laranja e suco de laranja. As isenções foram estabelecidas pelos Estados Unidos para aqueles produtos brasileiros que não são produzidos internamente por lá em quantidade suficiente ou a preços razoáveis, evitando, assim, escassez de determinados produtos no mercado consumidor e perturbações na economia daquele país.

Mas não escaparam da taxação extra produtos como ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola, máquinas elétricas não voltadas ao setor de aviação e outros produtos manufaturados, conforme anunciou nesta quarta-feira (15) o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). O tarifaço deve entrar em vigor na próxima terça-feira (21).

O USTR justificou as taxas, estabelecidas após investigações, dizendo que certas práticas adotadas pelo Brasil eram descabidas e oneravam ou restringiam o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses.

Reação do Brasil

O governo brasileiro repudiou as novas tarifas, afirmando que não reconhece a legitimidade da investigação do USTR e acrescentou que não há justificativa para essas medidas.

O Brasil informou ainda que “iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC [Organização Mundial do Comércio]”.

O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (17), em São Paulo, que o governo brasileiro estuda medidas de reciprocidade em relação à taxação imposta pelos Estados Unidos ao Brasil.

Disse o ministro: “Não cabe falar em retaliação, essa é uma palavra que está fora do nosso escopo. Com o que a gente trabalha: o Congresso Nacional aprovou por unanimidade uma lei que protege os interesses nacionais oferecendo um procedimento próprio para ser utilizado em casos de ataque injustificado ou unilateral de outros países. Nós estamos tomando muito cuidado com isso e não é um cuidado em relação aos Estados Unidos, é em relação à nossa economia”.

Durigan lembrou que o Brasil tem déficit na balança comercial com os Estados Unidos. “Hoje, os brasileiros, as famílias, as empresas, pagam para os Estados Unidos, gerando déficit comercial para o Brasil e superávit para os norte-americanos”, afirmou.

O ministro afirmou ainda que o Brasil conseguiu consolidar sua economia, “o que nos dá condição de proteger a nossa população, como fizemos no caso dos combustíveis”.

Setor cafeeiro comemora

A não inclusão do café no tarifaço foi comemorada por entidades representativas do setor, como a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

As entidades, em comunicado conjunto, manifestaram que o “trabalho conjunto com a National Coffee Association (NCA), tendo fundamental apoio dos importadores dos EUA, resultou em duas vitórias ao café brasileiro: i) a manutenção dos cafés previamente sugeridos na lista de exceção no âmbito da investigação da Seção 301 do USTR; e ii) a ampliação da lista, que incluiu o café solúvel não aromatizado entre os produtos isentos ao tarifaço”.

A nota diz ainda: “Entendemos que essa decisão protege as exportações brasileiras de café – na ordem de US$ 2,0 bilhões a US$ 2,5 bilhões por ano aos EUA, maior consumidor e importador mundial – e reforça a força do Brasil como maior produtor e exportador global, estabelecido como parceiro insubstituível aos norte-americanos”.

As instituições, contudo, manifestaram preocupação sobre o andamento de uma segunda “investigação do USTR na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, a qual pode trazer uma nova possibilidade de tarifas ao café brasileiro, da ordem de 12,5%”.

Diante disso, elas concluem que seguirão “em permanente trabalho de representação da sustentabilidade, da qualidade e da competitividade dos cafés do Brasil em todo o mundo, de maneira que os interesses de todos os atores da cadeia produtiva sejam defendidos e contemplados”.

Com informações da Agência Brasil
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