Tratado com União Europeia beneficia diretamente o agronegócio brasileiro
Edição AgroDF
9 janeiro 2025
Após 26 anos de negociações, a União Europeia anunciou nesta sexta-feira (9) que aprovou o acordo de livre comércio com o Mercosul – bloco composto pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, que juntos formam a maior zona de livre comércio do mundo.
O anúncio foi feito pelo Chipre, que detém a presidência rotativa do bloco, e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, órgão responsável por elaborar propostas de leis para todo o bloco e por executar as decisões do Parlamento e do Conselho Europeu.
A decisão ainda precisa ser aprovada pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor. Mas a expectativa do Ministério das Relações Exteriores da Argentina é que o acordo seja assinado em 17 de janeiro no Paraguai, que assumiu em dezembro de 2025 a presidência rotativa do Mercosul. Já se anuncia que Ursula Leyen viajará ao Paraguai na próxima semana para assinar o acordo.
A presidente da Comissão Europeia, em comunicado divulgado na página do bloco, sem citar nomes, criticou indiretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Escreveu Ursula: “Em um momento em que o comércio e as dependências [comerciais e econômicas] estão sendo usadas como armas, e a natureza perigosa e transacional da realidade em que vivemos se torna cada vez mais evidente, este acordo comercial histórico é mais uma prova de que a Europa traça seu próprio curso e se mantém como uma parceira confiável.”
A presidente da Comissão destacou ainda “a forte liderança e boa cooperação” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o período em que o Brasil presidiu o Mercosul – entre julho e dezembro de 2025.
O que prevê o acordo
A parceria comercial entre a União Europeia e o Mercosul prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação sobre cerca de 91% das mercadorias comercializadas entre os dois blocos. Prevê ainda a adoção de regras comuns para temas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
A redução ou eliminação de tarifas abrangerá produtos como carnes, açúcar, etanol, café, suco de laranja e produtos florestais, o que pode ampliar a competitividade brasileira em um mercado de alto poder aquisitivo e maior previsibilidade institucional.
O que o Brasil ganha
Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o acordo com a União europeia amplia o acesso a um mercado de cerca de 700 milhões de habitantes e de um PIB de perto de US$ 22 trilhões.
O tratado pode incrementar as exportações brasileiras para a União Europeia, com a perspectivas de gerar US$ 7 bilhões em vendas de produtos do Brasil para o bloco europeu, segundo estimativas do Governo Federal.
Atualmente, os produtos brasileiros enfrentam tarifas elevadas no mercado europeu. Do lado oposto, bens industriais europeus entram no Mercosul com alíquotas que ficam entre 20% (máquinas e produtos químicos) e 35% (automóveis). O acordo reduz essas distorções e busca eliminar também barreiras não tarifárias, como exigências técnicas e procedimentos considerados excessivamente complexos.
Exportações do agro
A União Europeia já ocupa importante papel para o agronegócio brasileiro. Entre janeiro e novembro de 2024, o agro do Brasil exportou para o bloco europeu US$ 27,71 bilhões, volume que caiu no mesmo período de 2025, quando as exportações somaram US$ 22, 89 bilhões. Ainda assim, representou 48,5% de total de todas as exportações de produtos agropecuários.
Entre esses produtos, destaca-se a carne bovina. Entre janeiro e novembro de 2025, as vendas para o bloco europeu alcançaram US$ 820,15% milhões, um crescimento de 83,2% em relação ao ano anterior. Apenas China e Estados Unidos superaram a União Europeia em volume de recursos aplicados na importação da carne brasileira.
Já o mercado europeu foi o principal destino do café verde brasileiro, com US$ 6,43 bilhões nos 11 primeiros meses de 2025, superando os US$ 5,21 bilhão exportado no mesmo período de 2024.
O bloco europeu foi o segundo maior mercado para a celulose brasileira, gerando receita de US$ 1,98 bilhão e respondendo por 21,1% do total exportado – mesmo com a queda de 12,9% das exportações desse produto para a EU.
No caso da soja, o bloco europeu foi o terceiro maior destino, com US$ 6 bilhões em exportações; e o sexto principal mercado para a carne de frango brasileira, com US$ 1,98 bilhão em compras.












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